Saúde financeira em risco: sobe o número de famílias que não conseguem pagar dívidas em Cuiabá

Apesar da estabilidade no endividamento, pesquisa da CNC revela que cresceu a parcela de famílias sem condições de quitar débitos. Cartão de crédito atinge 88,1% dos casos.

A capital mato-grossense apresentou sinais de alerta na economia doméstica neste mês de março. Embora o nível geral de endividamento tenha registrado uma leve oscilação positiva, passando de 86,1% para 85,9%, o dado que preocupa especialistas é a deterioração da capacidade de pagamento. Mais famílias cuiabanas declararam não ter condições de quitar suas dívidas.

De acordo com o levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias que não conseguem pagar os débitos subiu de 4,5% para 4,9%. O cartão de crédito continua sendo o vilão, presente em quase 90% das situações de dívida.

Segundo a Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), esse movimento reflete uma fragilidade financeira crescente. Um dado alarmante é que 36,3% das famílias estão comprometidas há mais de um ano, e 37% das dívidas em atraso já ultrapassam os 90 dias, o que dificulta a regularização e o acesso a novos créditos.

Principais causas do endividamento em Cuiabá

A composição das dívidas mostra que o consumo imediato é o principal motor do compromisso financeiro das famílias:

  • Cartão de Crédito: Presente em 88,1% dos casos de endividamento.
  • Carnês: Utilizados por 25,7% das famílias.
  • Financiamento de Veículos: Responsável por 7,3% dos débitos.
  • Crédito Pessoal: Modalidade presente em 5,4% dos registros.

Recado Direto: A estabilidade no volume de atrasos mascara uma piora na “saúde” das contas. Quando a parcela de quem não consegue pagar sobe, o comércio sente o impacto direto pela redução no consumo futuro.

Tabela: Radiografia do Endividamento (Março/2026)

Indicador Financeiro Fevereiro Março Status
Endividamento Geral 86,1% 85,9% Estabilidade
Famílias Inadimplentes 16,1% 16,1% Estável
Sem Condições de Pagar 4,5% 4,9% Aumento
Dívidas com +90 dias 37,0% Crítico

Checklist para evitar a inadimplência no cartão

  • 1) Pague o total: Evite o pagamento mínimo para não entrar nos juros rotativos.
  • 2) Limite real: Tente manter suas parcelas abaixo de 30% da renda mensal.
  • 3) Reserva de emergência: Tenha um fundo para imprevistos e evite o crédito pessoal caro.
  • 4) Renegocie: Se a dívida ultrapassar 90 dias, procure a instituição para acordos.

Frase-chave do período: “Crédito não é renda extra; é compromisso futuro.” O uso consciente do cartão é a única forma de manter o poder de compra a longo prazo.

Conclusão: Impacto no comércio e serviços

O aumento da parcela de famílias sem fôlego financeiro acende um alerta para o setor produtivo. Com a dificuldade de acesso a novas linhas de financiamento, o consumo tende a desacelerar nos próximos meses. Para as famílias cuiabanas, o momento exige pé no freio e uma reorganização rigorosa do orçamento doméstico para evitar que o endividamento se torne insolvência.

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