A Petrobras afirmou que pode reduzir os impactos da alta do petróleo no Brasil ao mesmo tempo em que preserva a rentabilidade da companhia. A declaração foi feita em nota enviada à imprensa, em meio à instabilidade do mercado internacional de energia provocada por conflitos e tensões geopolíticas.
Segundo a estatal, o cenário global marcado por guerras e disputas estratégicas tem ampliado a volatilidade dos preços do petróleo. Ainda assim, a empresa diz manter o compromisso de mitigar os efeitos dessas oscilações para a economia brasileira.
De acordo com a companhia, a estratégia comercial adotada atualmente considera condições mais favoráveis de refino e logística. Essa abordagem permite criar períodos de maior estabilidade nos preços internos, sem comprometer a sustentabilidade financeira da empresa.
“Essa estratégia permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que preserva a rentabilidade de forma sustentável”, informou a Petrobras. Segundo a empresa, isso reduz a transmissão imediata das variações do mercado internacional para os consumidores brasileiros.
A estatal também destacou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões sobre preços. No entanto, reforçou que sua atuação busca manter um equilíbrio entre responsabilidade empresarial e transparência com a sociedade.
Alta do petróleo no mercado global
O preço do barril de petróleo subiu nas últimas semanas após o agravamento da guerra envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 25% do petróleo comercializado no mundo.
Na segunda-feira (9), o barril chegou a atingir US$ 120 no mercado internacional. Posteriormente, os preços recuaram depois de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de encerramento do conflito. Atualmente, o barril do tipo Brent voltou a ser negociado abaixo de US$ 100, mas ainda acima da média de cerca de US$ 70 registrada antes do início da crise.
Mesmo com sinais de possível trégua, novas ameaças do governo norte-americano ao Irã voltaram a elevar a tensão geopolítica, mantendo o mercado de energia em estado de alerta.
Política de preços
Especialistas apontam que a capacidade da Petrobras de suavizar parte dos impactos no mercado interno está relacionada à mudança na política de preços adotada pela empresa em 2023. Até então, a estatal seguia a chamada política de paridade de importação (PPI), que alinhava integralmente os preços domésticos aos valores internacionais.
Com a mudança, a companhia passou a considerar fatores internos na definição dos valores praticados no país, o que cria uma margem de manobra maior diante de oscilações externas.
Apesar disso, analistas avaliam que essa capacidade é limitada e temporária. O Brasil ainda depende da importação de derivados como gasolina e diesel, além de contar com refinarias que foram privatizadas, o que reduz o controle direto da Petrobras sobre parte do mercado de combustíveis.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.