Carbono: Fazenda define setores que deverão relatar emissões a partir de 2027

O Ministério da Fazenda apresentou a proposta inicial do mercado regulado de carbono no Brasil, com implementação gradual entre 2027 e 2031 para setores de maior emissão de gases do efeito estufa.

O Ministério da Fazenda apresentou nesta terça-feira (19) a proposta preliminar que define os primeiros setores obrigados a informar emissões de gases de efeito estufa no futuro mercado regulado de carbono do Brasil.

A medida faz parte da implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mecanismo criado para monitorar, limitar e negociar emissões de dióxido de carbono no país.

A proposta prevê uma implementação gradual entre 2027 e 2031, começando pelos segmentos considerados mais intensivos em emissões. Neste primeiro momento, as empresas terão apenas a obrigação de monitorar e relatar os volumes emitidos, sem cobrança financeira ou exigência imediata de redução.

Setores da primeira etapa

A fase inicial, prevista para começar em 2027, inclui:

  • papel e celulose;
  • ferro e aço;
  • cimento;
  • alumínio primário;
  • petróleo e gás;
  • refino;
  • transporte aéreo.

As empresas desses setores deverão iniciar os processos de monitoramento, mensuração e reporte das emissões.

Ampliação prevista

A segunda fase está programada para 2029 e deverá incluir os setores de mineração, alumínio reciclado, energia elétrica, vidro, alimentos e bebidas, química, cerâmica e resíduos.

Já a terceira etapa, prevista para 2031, abrangerá os segmentos de transporte rodoviário, aquaviário e ferroviário.

Como funcionará o sistema

Segundo o governo, cada etapa terá duração de quatro anos. No primeiro ano, as empresas deverão apresentar planos de monitoramento. Nos dois anos seguintes, ocorrerá a coleta e o acompanhamento dos dados de emissões. O quarto ano será destinado à definição das regras para distribuição das cotas de emissão.

Durante esse período inicial, não haverá cobrança financeira nem obrigação de compensação ambiental. A exigência será apenas o reporte das emissões.

De acordo com a proposta, empresas que emitirem mais de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano deverão informar obrigatoriamente seus dados. Já companhias que ultrapassarem 25 mil toneladas poderão ser submetidas a limites de emissão e à necessidade de compensação por créditos de carbono.

Critérios técnicos

O Ministério da Fazenda informou que a escolha dos setores considerou fatores como intensidade energética, volume de emissões, exposição ao comércio internacional, capacidade de adaptação das empresas e viabilidade de monitoramento.

A secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, afirmou que a proposta foi construída com base em critérios técnicos e diálogo com os setores produtivos.

Segundo ela, o objetivo é garantir uma transição gradual da economia brasileira para um modelo de menor emissão de gases do efeito estufa, sem comprometer a competitividade econômica.

Próximos passos

O texto será analisado pelo Comitê Técnico Consultivo Permanente do SBCE, formado por representantes do governo, setor produtivo, academia e sociedade civil.

Após essa etapa, a proposta deverá passar por consulta pública em julho. A expectativa do governo é concluir a regulamentação ainda em 2026 para iniciar a implementação em 2027.

O que é o SBCE

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões é o mercado regulado de carbono criado para incentivar a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

Na prática, empresas que ultrapassarem os limites estabelecidos poderão ter de comprar créditos de carbono para compensar o excesso de emissões, enquanto companhias mais eficientes poderão negociar créditos no mercado.

Segundo o governo federal, o sistema deverá atingir principalmente grandes emissores, representando menos de 0,1% das empresas brasileiras.

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