Brasil bate recorde de abertura de pequenos negócios em 2025

Mais de 4,6 milhões de empresas foram criadas no ano, reforçando o papel dos microempreendedores na geração de renda e emprego

O Brasil registrou, em 2025, o recorde histórico de abertura de pequenos negócios, com 4,6 milhões de novos registros entre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O resultado reforça o protagonismo desse segmento na economia nacional. Atualmente, os pequenos negócios representam 97% das empresas brasileiras e já respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, consolidando sua importância na geração de renda e na movimentação da atividade econômica.

Pequenos negócios impulsionam emprego e renda

Para a economista Ana Claudia Arruda, conselheira do Conselho Federal de Economia (Cofecon), o crescimento do empreendedorismo mostra a força do segmento dentro da dinâmica produtiva brasileira.

Segundo ela, grande parte desses empreendedores aposta em uma recuperação da economia nos próximos anos, o que torna essencial a criação de políticas que fortaleçam esses negócios.

“Trata-se de um número expressivo dentro da dinâmica econômica brasileira, especialmente na geração de emprego e renda. Muitos desses empreendedores têm grande esperança na retomada econômica, mas é fundamental criar condições que fortaleçam esses empreendimentos, já que a maioria nasce com certa fragilidade”, avalia.

Entre os desafios estruturais, a economista aponta a necessidade de melhor acesso ao crédito, com condições mais adequadas à realidade das micro e pequenas empresas. Outro ponto destacado é o investimento em digitalização e inovação, ampliando o acesso ao comércio eletrônico e a soluções tecnológicas que aumentem a produtividade e a competitividade desses negócios.

Limite de faturamento do MEI é apontado como problema

No caso do Microempreendedor Individual (MEI), especialistas apontam que o limite anual de faturamento, atualmente fixado em R$ 81 mil, se tornou um entrave diante das mudanças na economia.

De acordo com Mateus Vicente, CEO da MaisMei, o teto permanece congelado desde 2018, enquanto a inflação acumulada no período já supera 34%.

“Nossa economia mudou, os preços subiram e as taxas de juros variaram, mas o limite do MEI parou no tempo. Se esse teto tivesse sido reajustado apenas pela inflação, hoje já estaria próximo de R$ 109 mil”, afirma.

Além disso, ele destaca que o valor do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) continua sendo reajustado, pois acompanha o salário mínimo. Segundo o empresário, um MEI do setor de serviços que pagava R$ 52,70 em 2018 passou a pagar R$ 80,90, aumento de 53,5% no período.

Projetos no Congresso discutem aumento do teto

A atualização do limite de faturamento do MEI já está em debate no Congresso Nacional. No Senado Federal, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) analisa o Projeto de Lei Complementar 60/2025, que propõe elevar o teto anual para R$ 140 mil.

Caso seja aprovado, o projeto poderá ampliar o potencial de crescimento dos microempreendedores e incentivar novos trabalhadores a deixarem a informalidade.

Formalização garante proteção e oportunidades

Para a contadora Kályta Caetano, especialista em MEI da MaisMei, a formalização traz vantagens importantes para os trabalhadores autônomos, principalmente em relação à segurança previdenciária.

Segundo ela, quem contribui como MEI passa a ter acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e licença-maternidade, além de maior proteção legal em diferentes situações.

Outro benefício é a obtenção do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), que amplia a credibilidade do empreendedor no mercado. Com o registro, o profissional pode emitir notas fiscais, participar de licitações, negociar com empresas, acessar serviços financeiros e até adquirir veículos e planos de saúde com condições mais vantajosas.

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