Violencia: 70% das agressões contra mulheres ocorrem em casa em 2025

Relatório do Ligue 180 aponta aumento nos atendimentos e nas denúncias de violência contra mulheres no Brasil em 2025, com predominância de casos dentro do ambiente doméstico. Os dados também revelam a recorrência e a gravidade das agressões ao longo do tempo.

Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres mostram que a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou, em 2025, 1.088.900 atendimentos, média de quase três mil por dia. O volume representa um crescimento de 45% em relação ao ano anterior.

No mesmo período, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, alta de 17,4% na comparação anual. Em média, o serviço recebeu cerca de 425 denúncias por dia.

Além das denúncias, o canal também concentra pedidos de informação sobre políticas públicas e a rede de proteção às mulheres em todo o país.

Ambiente doméstico concentra casos

Os registros indicam que a maior parte das agressões ocorre em contextos domésticos. Aproximadamente 70% das denúncias estão relacionadas ao ambiente da residência, sendo 40,76% na casa da vítima e 28,58% na residência compartilhada com o suspeito.

Outros 5,39% dos casos ocorreram na casa do agressor. Já as vias públicas responderam por 2,96% das ocorrências, mesmo percentual observado em situações envolvendo ambiente virtual.

Em relação à autoria das denúncias, dois terços foram feitos pelas próprias vítimas. Denúncias anônimas representam 16,9%, enquanto relatos de terceiros somam 16,8%. Em casos raros, o próprio agressor aparece como denunciante.

Violência recorrente

O levantamento evidencia a continuidade das agressões ao longo do tempo.

  • 20,91% das vítimas convivem com violência há mais de um ano;
  • 10,15% relataram início recente, em até 30 dias.

Outro dado relevante mostra que 31,86% das denúncias envolvem agressões diárias. Já 8,10% ocorrem semanalmente e 1,82% mensalmente. Em 25,38% dos registros, não há informação sobre a frequência das violências.

Perfil das vítimas

Os dados também revelam desigualdades raciais entre as vítimas. Mulheres negras representam mais de 43% das denúncias, sendo 33,46% pardas e 9,70% pretas.

As mulheres brancas correspondem a 32,54% dos registros. Já mulheres amarelas e indígenas somam menos de 1% cada.

Em 23,45% dos casos, não houve informação sobre raça ou cor.

Faixa etária mais afetada

A maior concentração de denúncias envolve mulheres entre 26 e 44 anos, que representam 37,19% do total.

O pico ocorre entre 40 e 44 anos, com 9,75% das ocorrências registradas. Em seguida aparecem as faixas de 35 a 39 anos e de 30 a 34 anos.

Os dados mostram estabilidade na incidência ao longo dessas idades, com variações pequenas entre os grupos.

Tipos de violência registrados

Cada denúncia pode envolver mais de um tipo de violência. Em 2025, foram contabilizadas 679.058 violações a partir das 155.111 denúncias registradas.

A violência psicológica aparece como a mais frequente, com cerca de 49,9% dos registros. A violência física corresponde a 15,3%.

Outras formas incluem violência patrimonial (5,4%), violência sexual (3,0%) e importunação sexual (1,2%). Casos de cárcere privado ou sequestro representam 0,4%.

Segundo o Ministério das Mulheres, cerca de 75,9% das ocorrências estão relacionadas à Lei Maria da Penha, que trata da violência doméstica e familiar.

Violência vicária

O levantamento também destaca casos de violência vicária, quando o agressor utiliza filhos ou pessoas próximas para atingir a vítima emocionalmente.

Em 2025, foram registradas 7.064 denúncias desse tipo, equivalente a 4,55% do total. Nos primeiros meses de 2026, esse tipo de ocorrência apresentou aumento proporcional.

Medidas recentes do governo passaram a incluir esse tipo de violência no conjunto de crimes relacionados à violência doméstica, com penalidades mais severas.

Distribuição regional

A região Sudeste concentra quase metade das denúncias do país, com 47,4% do total.

O Nordeste aparece em seguida com 18,2%, enquanto o Centro-Oeste responde por 11,5%. A região Sul registra 10,2% e o Norte, 6%.

Entre os estados, os maiores volumes de denúncias são de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Panorama recente

No primeiro trimestre de 2026, o Ligue 180 registrou aumento de 23% nas denúncias e de 14% nos atendimentos em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O serviço permanece disponível 24 horas por dia e pode ser acionado por qualquer pessoa para registro de violência ou pedido de ajuda.

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