O Ministério Público do Ceará teve sua denúncia aceita pela Justiça e transformou em réus quatro pessoas envolvidas em uma campanha de ódio contra a farmacêutica e ativista Maria da Penha.
Os acusados são: o ex-marido de Maria da Penha, Marco Antônio Heredia Viveiros; o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva; o produtor Marcus Vinícius Mantovanelli; e o editor e apresentador Henrique Barros Lesina Zingano, ambos ligados ao documentário A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha.
Segundo o MP, os quatro agiram de forma organizada para atacar a reputação da ativista e descreditar a lei que leva seu nome. Entre as ações estão perseguições virtuais, disseminação de notícias falsas e a criação de um laudo de exame de corpo de delito forjado para justificar a inocência de Heredia, já condenado por tentativa de homicídio contra Maria da Penha.
Investigações revelam que os denunciados promoviam cyberbullying e conteúdos misóginos em sites e redes sociais, além de distorcer informações sobre o caso. Paiva chegou a gravar vídeos na antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, aumentando o risco à ativista.
Denúncias
Marco Heredia foi denunciado por falsificação de documento público, enquanto Alexandre Paiva responde por stalking e cyberstalking. Mantovanelli e Zingano são acusados de usar um laudo adulterado no documentário, que alegava fraude processual no caso que condenou Heredia.
O laudo forjado incluiu informações sobre supostas lesões de Heredia que não constavam no documento original, alterações em assinaturas e carimbos, e foi amplamente divulgado para apoiar a tese de que ele seria vítima, não autor da tentativa de homicídio.
O grupo também usava grupos de WhatsApp para planejar a campanha de ódio e produzir o documentário. Extratos bancários de Paiva mostraram recebimentos da Google LLC, Meta Platforms Ireland e ganhos com publicidade, indicando objetivo de lucro com a desinformação.
O caso será julgado pela 9ª Vara Criminal de Fortaleza, sem prazo definido para o julgamento.
Operação
A investigação, iniciada em 2024 pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), resultou na operação “Echo Chamber”. Em dezembro de 2024, buscas no Espírito Santo e Rio de Janeiro levaram à suspensão do perfil de Paiva e à proibição de contato com Maria da Penha e suas filhas.
Em julho de 2025, buscas em Natal apreenderam documentos e eletrônicos, incluindo o laudo adulterado, e suspenderam a veiculação do documentário. Diante da gravidade, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do MP do Ceará.
Maria da Penha
Maria da Penha foi vítima de dupla tentativa de homicídio em 1983 pelo então esposo Marco Heredia, que a deixou paraplégica após um tiro nas costas. Ele alegou tentativa de assalto, versão desmentida pela perícia. Meses depois, manteve a ativista em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho.
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