Perda de patente militar pode atingir envolvidos em golpe de Estado

Militares julgados no STF por participação em tentativa de golpe podem ter suas patentes analisadas pelo tribunal militar, alerta especialista.

Os militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado que começam a ser julgados nesta terça-feira (2) no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, podem perder suas patentes. A avaliação é do advogado Leonardo Dickinson, especialista em Direito Militar.

Segundo o criminalista, a Constituição permite que oficiais percam suas patentes caso sejam condenados na Justiça comum ou militar com penas superiores a dois anos. O procedimento avalia se o militar mantém condições de exercer seu posto com dignidade.

“O tribunal analisa a conduta do militar perante o tribunal de honra, considerando se ele mantém os padrões de hierarquia e disciplina das Forças Armadas”, explica Dickinson.

A perda de patente não ocorre automaticamente. Primeiro, cada força militar analisa o caso por meio do Conselho de Justificação, um tribunal administrativo de oficiais que avalia a possibilidade de perda do posto.

Se o Conselho decidir pela perda da patente, o Ministério Público Militar pode apresentar denúncia ao Superior Tribunal Militar (STM), que determinará a decisão final. O STF não tem competência para julgar a perda de patente, reforça o especialista.

Consequências da punição

Perder a patente significa perder benefícios como aposentadoria e pensão. Dos 32 denunciados no caso do golpe, 22 são militares ou ex-militares, incluindo Bolsonaro, todos declarando inocência.

Segundo o Ministério Público Militar, desde 2018, 47 militares foram condenados com perda de patente. Outros sete processos foram arquivados ou extintos, e 19 aguardam julgamento. Crimes incluem corrupção, estelionato, peculato e estupro de vulnerável, sem envolver oficiais generais.

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