STF amplia restrições contra penduricalhos no Judiciário

Nova decisão do Supremo Tribunal Federal impede mudanças em estruturas administrativas para justificar benefícios extras acima do teto constitucional. Medida também exige maior transparência nos pagamentos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta sexta-feira (8) uma nova decisão para reforçar o combate aos chamados penduricalhos pagos a integrantes do Judiciário, Ministério Público e outras carreiras públicas.

Os penduricalhos são benefícios adicionais concedidos a servidores públicos que, somados aos salários, ultrapassam o teto constitucional de R$ 46,3 mil.

A nova determinação proíbe alterações em estruturas de cargos e unidades funcionais do Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas, Advocacia Pública e Defensoria Pública que tenham como objetivo justificar a criação de novos benefícios.

A decisão foi assinada pelos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, responsáveis pelas ações analisadas pelo Supremo.

Segundo o STF, a medida foi adotada após alguns tribunais classificarem comarcas como áreas de difícil provimento e criarem normas relacionadas a plantões judiciais e gratificações por acúmulo de funções para contornar a decisão anterior da Corte.

Os ministros também determinaram que os pagamentos dos membros desses órgãos sejam feitos em contracheque único, com o valor efetivamente depositado na conta dos servidores.

“O modelo definido pelo Supremo Tribunal Federal busca impedir a reprodução de práticas fundadas em comparações remuneratórias entre órgãos distintos, com sucessivas pretensões de equiparação, incompatíveis com a racionalidade administrativa, com a responsabilidade fiscal e com o cumprimento uniforme das decisões desta Corte”, afirmaram os ministros.

Em março deste ano, o STF decidiu por unanimidade limitar indenizações, gratificações e auxílios a até 35% do salário dos ministros da Corte, referência para o teto constitucional.

Com a regra, juízes, promotores e procuradores podem receber até R$ 62,5 mil mensais, considerando o teto salarial e os benefícios autorizados.

Publicação do acórdão

O Supremo também divulgou nesta sexta-feira (8) o acórdão da decisão que limitou os penduricalhos. A publicação abre prazo para que associações representativas das categorias afetadas apresentem recursos contra a medida.

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