Você sabia que cerca de 80% do peixe consumido em Mato Grosso ainda vem de fora do estado? Esse dado alarmante reforça a urgência de políticas públicas para fortalecer a piscicultura regional e reduzir a dependência de fornecedores externos, aproveitando a abundância hídrica da nossa região.
O cenário foi o foco central das discussões do projeto MT Produtivo, que prevê um investimento robusto de US$ 100 milhões para impulsionar cadeias da agricultura familiar, incluindo a aquicultura.
O paradoxo da produção aquícola mato-grossense
Apesar de possuir condições climáticas e hídricas ideais, o estado enfrenta gargalos logísticos e organizacionais que impedem o autoatendimento do mercado interno. Atualmente, a produção aquícola é composta em 90% por pequenos produtores, mas a falta de integração com a indústria gera ciclos de instabilidade.
Os principais entraves identificados pelos técnicos do setor incluem:
- Desarticulação: Falta de conexão direta entre quem produz e quem processa o pescado;
- Instabilidade de Oferta: Períodos de escassez seguidos por excesso de produção sem escoamento;
- Regularização: Baixo índice de licenciamento ambiental e sanitário nos empreendimentos;
- Insumos: Dificuldade de acesso a rações e alevinos de alta qualidade genética.
Estruturação e Cooperativismo
Para reverter esse quadro, o plano em debate propõe a organização da cadeia da piscicultura através do cooperativismo. A ideia é garantir escala de produção para que o pequeno produtor consiga competir no mercado e acessar grandes redes de distribuição.
Áreas como a Baixada Cuiabana, o Médio Norte e a região do Araguaia são vistas como polos estratégicos que podem liderar essa transformação, elevando a produção de pescado de um nível de subsistência para um modelo de negócio rentável e sustentável.
Raio-X do Setor em Números
Mato Grosso possui hoje um potencial que ainda opera abaixo de sua capacidade total:
- Empreendimentos: Cerca de 4.500 unidades ativas;
- Volume: Produção anual aproximada de 50 mil toneladas;
- Economia: Receita estimada em R$ 600 milhões anuais;
- Meta: Regularizar a maioria dos produtores para acessar linhas de crédito internacionais.
A criação de um Plano Diretor para a piscicultura é a aposta do governo para definir modelos produtivos que respeitem as particularidades de cada bacia hidrográfica, garantindo segurança alimentar e desenvolvimento econômico para o interior.
Reportagem baseada em dados apresentados no fórum do projeto MT Produtivo e balanços do setor aquícola estadual.
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