Crise no Samu: Demissão de 56 profissionais gera embate entre Assembleia e Governo sobre o futuro do socorro em Mato Grosso

Corte de profissionais no Samu preocupa parlamentares e levanta dúvidas sobre impacto no socorro à população.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Mato Grosso atravessa um momento de incerteza que coloca em xeque a agilidade do socorro pré-hospitalar no estado. A recente dispensa de 56 profissionais temporários acendeu um sinal de alerta na Assembleia Legislativa (ALMT), onde parlamentares questionam se a redução da força de trabalho pode comprometer o salvamento de vidas em situações críticas.

A medida atinge diretamente a linha de frente do atendimento, em um serviço onde cada segundo é determinante para o prognóstico de pacientes vítimas de traumas, infartos ou acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Cortes atingem condutores e equipes de enfermagem

O impacto das demissões é numérico e operacional. Dos cerca de 180 colaboradores que compunham a estrutura do Samu, quase um terço foi desligado. O corte detalhado revela uma baixa significativa em funções vitais para a circulação das Unidades de Suporte Avançado (USA) e Básico (USB):

  • 24 Técnicos de Enfermagem: Responsáveis pelo suporte direto e monitoramento dos pacientes;
  • 22 Enfermeiros: Líderes das equipes de campo e fundamentais em procedimentos de média e alta complexidade;
  • 10 Condutores Socorristas: Profissionais treinados para a direção defensiva e auxílio imediato na imobilização de vítimas.

Para deputados da Comissão de Saúde, a saída repentina desses profissionais, muitos com experiência acumulada durante a pandemia de Covid-19, pode gerar “apagões” em escalas de plantão, especialmente em regiões metropolitanas com alto índice de ocorrências.

Governo aposta na integração com o Corpo de Bombeiros

Em contrapartida às críticas, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) defende que o serviço passa por uma reestruturação estratégica. Segundo o Governo, a integração com o Corpo de Bombeiros Militar, consolidada em 2025, permitiu uma otimização de recursos que compensaria as dispensas dos temporários.

Os dados oficiais apresentados pela pasta tentam tranquilizar a população:

Indicador de Desempenho Resultado da Integração (Samu + Bombeiros)
Volume de Ocorrências Aumento de 30% na capacidade de atendimento.
Tempo de Resposta Redução de 36% no tempo de chegada à vítima.
Salvamentos Diretos Eficácia de 15% em intervenções de ressuscitação e estabilização imediata.

Convocação na Assembleia Legislativa

Mesmo com os números positivos apresentados pelo Executivo, a ALMT marcou uma reunião extraordinária da Comissão de Saúde para os próximos dias. O objetivo é ouvir representantes dos sindicatos de enfermagem e gestores da SES-MT para entender se a integração com os Bombeiros é suficiente para suprir a ausência de técnicos e enfermeiros especializados em atendimento móvel.

O debate central gira em torno da precarização do trabalho e da garantia de que as ambulâncias não fiquem paradas por falta de equipe técnica qualificada. O Samu continua sendo a principal porta de entrada para o sistema de urgência e emergência de Mato Grosso, e qualquer oscilação na qualidade do serviço tem impacto direto na taxa de mortalidade do estado.


Participe do Debate: Você já precisou do Samu recentemente? Notou alguma demora ou mudança no padrão de atendimento? Acredita que os Bombeiros conseguem suprir a falta desses 56 profissionais? Deixe sua opinião nos comentários abaixo!

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