A qualidade do atendimento eletivo e de urgência no interior do estado entrou na mira direta do Poder Legislativo. Em reunião ordinária realizada nesta terça-feira (19), a Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou um cronograma oficial de vistorias técnicas surpresa a unidades hospitalares e cobrou explicações sobre o ritmo de construções de novos leitos.
As auditorias presenciais têm como objetivo central fiscalizar de perto uma série de denúncias graves apresentadas por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e sindicatos da categoria. Entre os alvos da apuração parlamentar estão relatos de desabastecimento crônico de farmácias básicas, escassez de insumos cirúrgicos, sobrecarga de trabalho das equipes médicas e falhas na gestão de contratos com Organizações Sociais de Saúde (OSS).
Cáceres encabeça a lista de vistorias da ALMT ainda em maio
A força-tarefa dos deputados estaduais começará os trabalhos de campo polo município de Cáceres, com fiscalização agendada para o dia 26 de maio. Na sequência do cronograma, o grupo de parlamentares se deslocará para a região Norte do estado no dia 9 de junho, onde inspecionará simultaneamente as estruturas dos hospitais regionais de Sinop e de Sorriso.
Os parlamentares pretendem auditar quatro eixos fundamentais em cada unidade:
- Fluxo de atendimento: Tempo de espera e triagem de pacientes nos prontos-socorros;
- Logística de insumos: Estoque de medicamentos de alta complexidade e materiais de enfermagem;
- Relações trabalhistas: Verificação de atrasos salariais e cumprimento de plantões;
- Controle de contratos: Regularidade administrativa das empresas terceirizadas instaladas nos complexos.
Para garantir a transparência dos atos e a imediata resolução de problemas operacionais, a comissão legislativa emitirá convites formais para que técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) acompanhem os comboios de fiscalização.
Hospital Regional de Juína atinge 75% de execução, mas tem prazo estendido
O andamento da construção do novo Hospital Regional de Juína, considerado estratégico para descentralizar o atendimento de média e alta complexidade na região Noroeste, também dominou os debates da sessão. Representantes da empreiteira responsável pelo projeto apresentaram um relatório técnico apontando que a estrutura física atingiu a marca de 75% de execução.
Apesar do avanço nas paredes, a previsão de entrega foi postergada para o final de 2026. A concessionária justificou o atraso no cronograma original citando a severa escassez de mão de obra qualificada na região, a necessidade de promover alterações de engenharia no projeto inicial e pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, cujo valor original é orçado em aproximadamente R$ 135 milhões e já conta com termos aditivos de prazo.
Polêmica sobre a extinção da Ouvidoria do Conselho Estadual de Saúde
A pauta legislativa também abrigou discussões inflamadas sobre um projeto de lei do Poder Executivo que propõe mudanças estruturais no Conselho Estadual de Saúde, incluindo a extinção da ouvidoria externa vinculada ao órgão controlador.
Membros da comissão, apoiados por representantes da Defensoria Pública do Estado, manifestaram forte oposição à extinção do canal. O argumento técnico é de que o fechamento dessa estrutura independente enfraquece a participação social e cria barreiras burocráticas para que o cidadão comum denuncie a falta de vagas de UTI, a demora em cirurgias eletivas ou busque suporte jurídico para a judicialização de tratamentos médicos urgentes.
| Calendário e Status da Saúde Pública | Dados e Prazos Consolidados (2026) |
|---|---|
| Primeira Inspeção | Hospital Regional de Cáceres – 26 de maio |
| Segunda Rodada | Hospitais de Sinop e Sorriso – 09 de junho |
| Obra de Juína | 75% concluída, com orçamento de R$ 135 milhões |
| Nova Previsão (Juína) | Entrega adiada para o final de 2026 |
O prolongamento no prazo de entrega de grandes hospitais públicos obriga milhares de moradores do interior a continuarem enfrentando viagens exaustivas em ambulâncias e vans de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) rumo aos leitos da Baixada Cuiabana. Você considera que a Assembleia Legislativa deveria aplicar sanções financeiras severas e romper o contrato com empreiteiras que atrasam cronogramas de obras de saúde pública, ou o Estado precisa ser mais flexível devido às dificuldades logísticas crônicas e à falta de operários qualificados nas regiões mais distantes de Mato Grosso? Deixe sua opinião nos comentários.
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