O futuro do atendimento de urgência e emergência na Baixada Cuiabana tornou-se o centro de um intenso debate na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social aprovou cinco encaminhamentos críticos após a demissão de 56 profissionais do SAMU, exigindo a revisão dos desligamentos e explicações detalhadas sobre a desativação de unidades operacionais.
Os parlamentares expressaram preocupação com a redução imediata da capacidade de resposta do sistema, especialmente no socorro pré-hospitalar móvel, onde a agilidade é determinante para salvar vidas.
Concurso público e diálogo com o Ministério da Saúde
Diante do impasse, os deputados acrescentaram duas frentes de ação para tentar reverter o quadro e garantir a continuidade do serviço:
- Concurso Público: Proposta de convocação imediata para reforçar o quadro efetivo e reduzir a dependência de contratos temporários;
- Articulação Federal: Debate com o Ministério da Saúde para viabilizar a renovação de contratos dos profissionais que foram desligados recentemente.
Parlamentares da comissão destacaram que a perda de profissionais experientes impacta diretamente a qualidade técnica do socorro, gerando um vácuo no atendimento enquanto o novo modelo de integração é implementado.
Governo defende expansão via integração com Bombeiros
Por outro lado, o secretário estadual de Saúde defendeu a estratégia da gestão. Segundo ele, não há desassistência, mas uma transição para um modelo de cooperação técnica entre o SAMU e o Corpo de Bombeiros Militar. O plano do Estado prevê:
- Ampliação da Cobertura: O serviço, que hoje atende 24 municípios, tem meta de expansão para outras 28 cidades;
- Padronização: Unificar os protocolos de atendimento pré-hospitalar em todo o território estadual;
- Eficiência Logística: Reduzir o tempo de resposta através do compartilhamento de bases e ambulâncias equipadas.
Relatos de redução de equipes geram alerta
Apesar do otimismo do Governo, representantes da categoria e profissionais que permanecem no sistema relatam uma realidade distinta nas ruas. Há queixas sobre a diminuição do número de ambulâncias em circulação e a sobrecarga das equipes remanescentes.
Para os especialistas ouvidos pela Comissão, o sistema de emergência de Mato Grosso ainda sofre com desigualdades históricas de investimento entre a capital e o interior, o que torna qualquer corte de pessoal um risco sensível para a assistência direta à população.
Próximos Passos
O debate na Assembleia Legislativa deve continuar nos próximos dias com novas reuniões técnicas entre a Secretaria de Saúde e os órgãos de controle. O foco será encontrar um equilíbrio entre a modernização do sistema e a manutenção dos postos de trabalho essenciais para o funcionamento das ambulâncias.
A reportagem do CenárioMT seguirá acompanhando os desdobramentos dessa crise no atendimento de urgência. Qual sua percepção sobre o socorro médico na sua região? As ambulâncias têm chegado no tempo esperado? Deixe seu comentário.
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