Custo da construção em Mato Grosso registra maior alta mensal de 2026

Elevação da mão de obra impulsiona CUB em junho, enquanto aço e cimento seguem acumulando queda nos preços, aponta Sinduscon-MT

O custo da construção civil em Mato Grosso registrou a maior alta mensal de 2026 em junho. De acordo com levantamento do Sindicato das Indústrias da Construção de Mato Grosso (Sinduscon-MT), o Custo Unitário Básico (CUB/m²) para projetos residenciais de padrão normal (R-8) avançou 1,63%, elevando o valor do metro quadrado de R$ 3.148,99, em maio, para R$ 3.200,19.

O CUB é um dos principais indicadores utilizados pelo setor para acompanhar a evolução dos custos da construção civil, servindo como referência para construtoras, incorporadoras e profissionais da área.

Apesar da estabilidade e até da redução registrada em importantes insumos utilizados nas obras, o aumento da mão de obra foi o principal responsável pelo avanço do indicador em junho. O custo da hora trabalhada do servente apresentou alta de 9,09% em relação ao mês anterior, enquanto a do pedreiro subiu 1,53%.

Entre os materiais de construção, o comportamento foi mais moderado. O aço CA-50, um dos principais insumos empregados nas estruturas de concreto, voltou a registrar queda de 1,79% no mês e acumula retração de 14,06% desde o início de 2026. O cimento também manteve estabilidade em junho, preservando uma redução acumulada de 10% no ano.

Outros materiais apresentaram pequenas oscilações. A esquadria de alumínio teve aumento de 0,35%, o fio de cobre subiu 0,31% e a emulsão asfáltica registrou alta de 0,38%. Em sentido contrário, a placa de gesso ficou 5% mais barata, a telha de fibrocimento recuou 1,75% e o bloco cerâmico apresentou queda de 1,49%.

Segundo o presidente do Sinduscon-MT, Claudio Ottaiano, o resultado demonstra que o custo da construção não depende exclusivamente da variação dos materiais, mas da combinação de todos os componentes que integram o CUB.

“O índice reflete a variação média dos custos da construção como um todo. No entanto, cada obra possui características próprias, com projetos, padrões e especificidades que podem influenciar diretamente no custo final. Por isso, o CUB deve ser utilizado como referência, e não como um valor absoluto para cada empreendimento”, explica.

O dirigente destaca ainda que a atualização dos custos da mão de obra teve papel decisivo na composição do indicador de junho.

“Embora insumos importantes continuem apresentando estabilidade ou até redução de preços, como é o caso do aço e do cimento, a atualização dos custos de mão de obra teve impacto relevante no indicador deste mês, refletindo a dinâmica natural do setor”, conclui.

Mesmo com a alta registrada em junho, o levantamento do Sinduscon-MT mostra que o comportamento dos custos da construção segue sendo resultado do equilíbrio entre a evolução dos preços dos materiais, da mão de obra e dos demais insumos que compõem a atividade, fatores que continuarão sendo determinantes para o desempenho do setor ao longo do ano.

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