Tarifa dos EUA deve ter impacto limitado sobre agropecuária do Paraná, avalia Sistema FAEP

Carnes, café e frutas ficaram fora da sobretaxa de 25% proposta pelo governo norte-americano; setor florestal está entre os mais afetados

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros acendeu o alerta em diversos segmentos exportadores. No entanto, a agropecuária do Paraná deve sentir efeitos mais moderados da medida, já que parte significativa dos produtos enviados pelo Estado ao mercado norte-americano ficou fora da lista de itens taxados.

Entre os produtos isentos da sobretaxa estão carnes, café e frutas, considerados estratégicos pelos Estados Unidos. De janeiro a maio de 2026, o Paraná exportou cerca de US$ 24,5 milhões em café para o país norte-americano, além de US$ 11 milhões em carnes e US$ 165 mil em frutas.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a exclusão desses produtos reduz os impactos diretos sobre a agropecuária paranaense, embora a medida ainda gere preocupação em outros segmentos importantes da economia estadual.

Setor florestal pode sentir reflexos da medida

Entre os setores que devem enfrentar os maiores desafios está o florestal. Alguns produtos da cadeia madeireira foram incluídos na proposta de sobretaxação. Considerando tanto os itens taxados quanto os isentos, o segmento movimentou aproximadamente US$ 90 milhões em exportações do Paraná para os Estados Unidos nos primeiros cinco meses deste ano.

Segundo Meneguette, apesar de a taxação não atingir a totalidade do setor, a decisão pode impactar produtores e empresas que desempenham papel relevante na balança comercial paranaense.

O prazo previsto para o início da cobrança da tarifa adicional vai até 15 de julho, período em que ainda podem ocorrer negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos para tentar reverter ou amenizar os efeitos da medida.

Investigação americana cita práticas comerciais e questões ambientais

A proposta foi apresentada pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos após uma investigação realizada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O mecanismo permite que o governo dos EUA investigue e adote medidas contra países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem os interesses comerciais americanos.

No relatório divulgado pelas autoridades norte-americanas, são citadas questões como o uso do sistema Pix, práticas de pirataria e supostas falhas na fiscalização ambiental brasileira. O documento também relaciona o desmatamento ilegal à expansão de atividades agropecuárias, argumentando que isso proporcionaria vantagens competitivas consideradas desleais às exportações brasileiras.

Produtores contestam acusações

O Sistema FAEP rebate as alegações presentes no relatório e defende que a produção agropecuária paranaense segue padrões rigorosos de sustentabilidade e conformidade ambiental.

Para Meneguette, a classificação apresentada pelos Estados Unidos não reflete a realidade do setor produtivo do Estado. Segundo ele, os produtores rurais trabalham dentro da legislação vigente, adotam mecanismos de rastreabilidade e mantêm compromisso com a preservação ambiental.

A expectativa do setor é de que as negociações entre os dois países avancem nas próximas semanas, buscando evitar prejuízos às cadeias produtivas que dependem do comércio internacional.

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