Queda no preço dos ovos reduz poder de compra de avicultores paulistas em abril

Mesmo com recuo nos custos de milho e farelo de soja, desvalorização mais intensa dos ovos pressiona a rentabilidade do setor

O poder de compra dos avicultores de São Paulo frente aos principais insumos da atividade — milho e farelo de soja — recuou na parcial de abril, até o dia 22, após dois meses consecutivos de recuperação. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o movimento está diretamente ligado à queda mais acentuada nos preços dos ovos em comparação à redução observada nos custos de produção.

Embora tanto o milho quanto o farelo de soja também tenham apresentado recuo nas cotações entre março e abril, a desvalorização dos ovos foi mais intensa, o que deteriorou a relação de troca para os produtores. Na prática, isso significa menor capacidade de aquisição de insumos com a receita obtida na atividade.

O cenário é resultado da combinação entre maior oferta no mercado e demanda enfraquecida ao longo do mês, fatores que têm pressionado os preços do produto. Com isso, a comercialização segue mais cautelosa, refletindo o comportamento dos compradores.

Ainda segundo o Cepea, agentes do mercado permanecem atentos a variáveis importantes, como o avanço da colheita da safra de verão, as condições climáticas para o desenvolvimento da segunda safra e a recente queda do dólar. Diante desse contexto, as negociações ocorrem de forma pontual, geralmente voltadas à reposição de estoques ou condicionadas à aceitação de preços mais baixos por parte dos vendedores.

O cenário indica um momento de ajuste para a avicultura, em que a rentabilidade depende não apenas do custo dos insumos, mas principalmente da capacidade de reação dos preços no mercado consumidor.

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