Samba e políticas públicas para trabalhadoras da cultura são debatidos no Rio de Janeiro

Evento no Rio reúne gestores, artistas e pesquisadores para discutir direitos trabalhistas, previdência e financiamento para mulheres na cultura. Propostas buscam fortalecer o setor em todo o país.

O 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba reúne, no Rio de Janeiro, representantes do setor cultural, gestores públicos, pesquisadores e artistas para debater políticas públicas voltadas às trabalhadoras da cultura. O encontro, que teve início na segunda-feira (22) e segue até quarta-feira (24), coloca em pauta temas como direitos trabalhistas, previdência e financiamento do setor.

Organizado pelo Ministério da Cultura, o evento busca construir propostas de leis e ações governamentais que fortaleçam a cadeia produtiva do samba e de outras expressões culturais em todo o país. Participam do seminário sambistas históricos, novas vozes do gênero e lideranças de rodas de samba de diferentes regiões.

Durante a abertura, o ministro da Cultura interino, Márcio Tavares, destacou que a proteção aos trabalhadores da cultura ainda representa um desafio para o Estado brasileiro. Ele afirmou que há lacunas históricas na garantia de direitos e ressaltou que muitas manifestações culturais enfrentaram, no passado, processos de repressão antes de se consolidarem como patrimônio nacional.

Segundo Tavares, cerca de cinco milhões de pessoas trabalham atualmente no setor cultural no Brasil, e a maior parte enfrenta condições de informalidade e precarização. Ele defendeu a construção de políticas públicas capazes de reconhecer e estruturar essas atividades de forma mais consistente.

A primeira-dama Janja Lula da Silva também participou das discussões e ressaltou a importância de políticas de proteção social voltadas às mulheres trabalhadoras da cultura. Entre as medidas citadas, ela destacou a necessidade de creches com funcionamento noturno para atender profissionais que atuam em horários alternativos.

A cantora e compositora Teresa Cristina chamou atenção para a importância da previdência social e da aposentadoria no setor cultural, defendendo maior valorização dos mestres e artistas ao longo da vida profissional.

Representando a Rede de Rodas de Samba, Wanderso Luna destacou o papel histórico do samba na formação social e econômica das comunidades brasileiras. Ele afirmou que as rodas de samba funcionam como espaços de desenvolvimento territorial e identidade cultural, além de serem uma forma de resistência e reinvenção do povo negro após séculos de escravização.

O dirigente também defendeu que o samba seja reconhecido como um setor econômico estruturado, com acesso a linhas de financiamento e investimentos públicos e privados. Ele comparou o potencial da cadeia produtiva do samba a outras indústrias consolidadas e defendeu maior participação de instituições financeiras no fomento à cultura.

As rodas de samba, segundo ele, têm origem histórica no Rio de Janeiro, surgindo ainda no período de transição entre o Brasil Império e a República, como espaços de encontro, expressão cultural e organização social. Para os participantes, o seminário representa um passo na construção de políticas que ampliem o reconhecimento e a sustentabilidade do setor.

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