A escritora portuguesa Lídia Jorge foi a vencedora do Prêmio Camões de Literatura de 2026, a mais importante distinção da língua portuguesa. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (2), após reunião virtual do júri responsável pela escolha.
Reconhecida como uma das principais autoras contemporâneas de Portugal, Lídia Jorge tem uma trajetória marcada por obras que analisam a história recente do país, além de reflexões sociais e temas ligados aos direitos humanos e às mulheres.
A autora receberá o prêmio no valor de 100 mil euros, financiado por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional e do governo de Portugal.
Análise do júri
O júri desta edição foi composto por representantes de diferentes países lusófonos, reunindo especialistas da área acadêmica e literária.
- José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra – Portugal);
- Ana Mafalda Leite (Universidade de Lisboa – Portugal);
- Lucia Santaella (PUC-SP – Brasil);
- José Ribamar Bessa Freire (Brasil);
- Lopito Feijó (Angola);
- Odete Semedo (Guiné-Bissau).
Segundo o colegiado, a obra de Lídia Jorge, iniciada com o romance O Dia dos Prodígios (1979), contribui para o enriquecimento do patrimônio literário da língua portuguesa, abordando temas ligados ao período final da guerra colonial e suas repercussões sociais.
O júri destacou ainda A Costa dos Murmúrios (1988) como uma obra de referência na carreira da autora, por revisitar experiências em Moçambique e questionar narrativas tradicionais sobre o conflito colonial sob uma perspectiva feminina.
Entre suas obras mais recentes, Misericórdia (2022) trata de temas como envelhecimento, finitude e a urgência da vida.
A decisão unânime ressaltou que a produção literária de Lídia Jorge se caracteriza por uma escrita densa e poética, com foco em memória, transformações sociais, conflitos geracionais e a experiência histórica portuguesa.
Poder da escrita
Autoridades culturais também comentaram a escolha. Para a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, a premiação reconhece uma das vozes mais relevantes da língua portuguesa e reforça o papel da literatura na preservação da memória e na reflexão social.
O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, afirmou que a obra da autora se destaca pela profundidade e pela abordagem crítica da história colonial, além da relação entre política e literatura em sua produção.
A autora
Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge é formada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa. Viveu em Angola e Moçambique durante a Guerra Colonial Portuguesa, experiência que influenciou diretamente sua obra literária.
Seu romance de estreia, O Dia dos Prodígios, publicado em 1980, marcou uma nova fase da literatura portuguesa. Ao longo da carreira, recebeu importantes distinções internacionais e teve obras traduzidas para diversos idiomas.
Prêmio Camões
Criado em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões reconhece autores que contribuem para o enriquecimento da literatura em língua portuguesa e fortalece os laços culturais entre países da CPLP.
Desde sua primeira edição, em 1989, o prêmio já contemplou escritores de diferentes países lusófonos, consolidando-se como a mais relevante honraria literária do idioma.
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