A contenção do êxodo de capital intelectual qualificado, o fomento à pesquisa científica aplicada e a descentralização dos polos de inovação tecnológica pautaram um marco regulatório de investimentos na academia do estado. A Fapemat lança edital de R$ 23,3 milhões em uma ação coordenada junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT).
A iniciativa, vinculada ao Programa de Fixação de Pesquisadores no Brasil (Profix-CB), visa criar um cinturão de fomento para ancorar doutores de alto desempenho em instituições locais de ensino superior.
Profix-CB prevê aportes de até R$ 973 mil por projeto e bolsas mensais de R$ 13 mil
O esqueleto do programa desenha uma linha de financiamento robusta de longo prazo, com duração contratual de quatro anos (48 meses), estruturada para subsidiar até 24 projetos de pesquisa de grande porte. O teto orçamentário fixado para cada proposta individual é de R$ 973,2 mil, valor que engloba tanto a remuneração direta dos cientistas quanto o custeio operacional dos laboratórios.
Dentro dessa composição financeira, o doutor responsável pela coordenação receberá uma bolsa mensal de R$ 13 mil, com o suporte de bolsas de mestrado fixadas em R$ 2,1 mil e doutorado em R$ 3,1 mil para a formação de novos quadros.
Adicionalmente ao pagamento dos pesquisadores, a Fapemat lança edital de R$ 23,3 milhões assegurando uma verba de custeio de até R$ 150 mil por projeto aprovado. Esse montante complementar é carimbado exclusivamente para despesas correntes e de capital, tais como a aquisição de maquinários analíticos, compra de reagentes químicos, materiais de consumo técnico, importação de insumos biológicos e contratação de serviços especializados de terceiros. A meta é garantir que as bancadas de pesquisa tenham autonomia tecnológica para concorrer com grandes centros do país.
Edital impõe cota de 50% para o interior e mapeia áreas que movimentam o PIB estadual
A governança de CT&I do projeto estabeleceu critérios rígidos de interiorização da ciência para quebrar o monopólio de investimentos na Baixada Cuiabana. O regulamento impõe uma divisão equitativa: exatamente metade das vagas (12 projetos) será obrigatoriamente outorgada a proponentes lotados na Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, enquanto os outros 50% dos ativos serão destinados aos câmpus universitários localizados nos demais municípios do interior.
As submissões de teses e ensaios experimentais devem obrigatoriamente dialogar com os eixos estratégicos de desenvolvimento regional, cujos setores prioritários foram divididos na listagem abaixo:
- Complexo Agropecuário: Tecnologias de biotecnologia vegetal, melhoramento genético e sanidade animal voltadas ao campo;
- Biodiversidade e Clima: Estudos sobre transição ecológica, conservação do Pantanal/Cerrado e mitigação de mudanças climáticas;
- Energias Renováveis e Hídricas: Pesquisas focadas na eficiência de matrizes de biomassa, energia solar e proteção de aquíferos;
- Saúde e Tecnologias Sociais: Desenvolvimento de fármacos, vigilância epidemiológica e sistemas de inteligência aplicada à segurança pública;
- Logística e TI: Engenharia de transportes para escoamento de safras e desenvolvimento de softwares de automação de dados.
Inscrições via SIGFapemat encerram em agosto; resultado sai em outubro de 2026
O presidente da fundação de amparo, Marcos de Sá Fernandes da Silva, ressaltou que a iniciativa ataca diretamente o fenômeno da “fuga de cérebros” — quando pesquisadores formados pelo erário estadual migram para o Sudeste ou para o exterior por falta de editais de absorção locais. O edital exige que os candidatos possuam titulação de doutor, estejam sem vínculo empregatício formal no momento da implantação do benefício e submetam as propostas em consórcio com programas de pós-graduação *stricto sensu* sediados em MT.
O cronograma de submissões e o processamento de análise de mérito científico pelas câmaras julgadoras foram sintetizados na tabela abaixo:
| Etapa do Processo Seletivo | Prazos e Datas Limite (2026) | Procedimento Técnico do Proponente |
|---|---|---|
| Inscrições Eletrônicas | Até 13 de agosto de 2026 | Submissão exclusiva do plano de trabalho no sistema digital SIGFapemat. |
| Divulgação do Resultado | 15 de outubro de 2026 | Publicação dos 24 projetos homologados após avaliação de comitês de pares. |
| Contratação e Repasses | A partir de 20 de outubro de 2026 | Assinatura do termo de outorga e liberação imediata das primeiras parcelas. |
Como contrapartida social inovadora, o marco regulatório determina que pelo menos 5% de todo o orçamento alocado seja obrigatoriamente revertido em ações de popularização da ciência. Os cientistas financiados precisarão traduzir suas descobertas de laboratório em linguagens acessíveis à comunidade leiga, utilizando mídias sociais, podcasts e portais informativos para prestar contas à sociedade.
O fortalecimento de uma infraestrutura laboratorial robusta e interiorizada é apontado por economistas como o único caminho viável para que o estado deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima bruta e passe a agregar valor industrial à sua produção. Ao garantir que a Fapemat lança edital de R$ 23,3 milhões e fixar inteligências de ponta no território, o governo estadual acelera a transição para a economia do conhecimento, cria soluções para gargalos crônicos de logística e pavimenta um ecossistema de alta tecnologia em Mato Grosso.
Reportagem baseada em resoluções de diretoria da Fapemat, termos aditivos de cooperação técnica Capes/CNPq e manuais de submissão do sistema SIGFapemat para o ano corrente de 2026.
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