Saúde Pública em Mato Grosso recebe R$ 5,6 bi

Estado supera mínimo constitucional e amplia investimentos, mas ainda enfrenta desafios em UTIs e atenção básica.

O relatório do terceiro quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde aponta que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões à saúde, o equivalente a 16% do orçamento estadual. O índice supera o mínimo constitucional de 12% e indica uma política de ampliação de recursos no setor.

Investimentos acima do mínimo legal

Segundo o balanço apresentado em audiência pública na Assembleia Legislativa, o volume aplicado representa um esforço contínuo desde 2023. Embora não haja crescimento expressivo em relação a anos anteriores, há uma consolidação do aumento de repasses para a área.

Do total investido, R$ 891,4 milhões foram direcionados a obras e infraestrutura. Entre as ações, estão a finalização de unidades hospitalares e melhorias estruturais, incluindo intervenções em hospitais estratégicos e a nova sede da Secretaria de Estado de Saúde.

Infraestrutura e funcionamento da rede

Grande parte do orçamento segue destinada às despesas correntes, como manutenção da rede e pagamento de profissionais. Esses custos são considerados essenciais para o funcionamento contínuo do sistema público de saúde.

Apesar da ampliação estrutural, o relatório reforça que a expansão física ainda não se reflete totalmente na oferta de serviços especializados em todas as regiões.

Desafios em UTIs e atendimento regional

Um dos principais pontos críticos é a ausência de leitos de UTI neonatal e pediátrica em áreas como o Araguaia. Segundo dados apresentados na audiência, os 34 municípios da região não contam com cobertura desses serviços, o que representa um vazio assistencial relevante.

Também foi destacado que, embora novas UTIs tenham sido criadas, parte delas ainda não está plenamente regulamentada ou em funcionamento efetivo.

Saúde indígena e hanseníase em foco

Outro desafio apontado envolve a saúde indígena, especialmente na atenção odontológica às 46 etnias presentes no estado. O atendimento primário ocorre nos municípios, mas os níveis secundário e terciário ainda apresentam lacunas estruturais.

O enfrentamento da hanseníase também foi citado como ponto sensível. O estado segue entre os que mais registram casos no país, o que reforça a necessidade de políticas mais integradas entre Estado e municípios, além de ações de educação continuada.

Mesmo com avanços na infraestrutura, o relatório evidencia que a saudepublica ainda enfrenta o desafio de transformar investimento em atendimento efetivo e redução das desigualdades regionais.

Com mais recursos aplicados e novos hospitais em construção, o debate agora se concentra na efetividade da rede e na ampliação do acesso a serviços essenciais. Comente sua opinião!

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