Relatório aponta falhas no serviço de energia em Mato Grosso e sugere nova licitação para concessão

Durante a entrega do documento, representantes do Legislativo estadual defenderam que o contrato atual, firmado em 1997, tornou-se obsoleto diante da expansão econômica de Mato Grosso.

O Ministério de Minas e Energia (MME) recebeu, na última sexta-feira (9), o relatório consolidado de oito audiências públicas realizadas em Mato Grosso sobre a prestação de serviços da concessionária Energisa. O documento, elaborado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), reúne denúncias de consumidores e dados técnicos que servirão de base para o governo federal decidir entre a renovação do contrato atual ou a abertura de uma nova licitação para os próximos 30 anos.

O diagnóstico aponta que o atual modelo de prestação de serviço apresenta deficiências estruturais que limitam o crescimento do estado. Entre os principais problemas identificados no relatório estão:

  • Déficit de energia trifásica: O sistema atende menos de um terço do território estadual, o que impede a instalação de novas indústrias e a ampliação de plantas produtivas já existentes.
  • Instabilidade no fornecimento: Foram registrados relatos frequentes de oscilações e quedas de energia, resultando em prejuízos materiais, como a queima de equipamentos domésticos e agrícolas.
  • Atendimento ao cliente: O fechamento de agências físicas no interior e a demora nas respostas pelos canais digitais e telefônicos foram apontados como pontos críticos, especialmente para idosos e moradores de áreas remotas.

Durante a entrega do documento, representantes do Legislativo estadual defenderam que o contrato atual, firmado em 1997, tornou-se obsoleto diante da expansão econômica de Mato Grosso. A conclusão do relatório sugere a realização de um novo processo licitatório, sob o argumento de que cláusulas contratuais e indicadores regulatórios não estariam sendo plenamente cumpridos pela atual distribuidora.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reconheceu a necessidade de modernização contratual. Ele destacou que novos acordos de concessão devem prever metas de investimento mais rígidas e critérios de melhoria contínua, nos moldes do que já ocorre em outros estados. Uma nova reunião entre técnicos do Ministério e a Comissão da ALMT está agendada para esta terça-feira (13) para dar continuidade à análise estratégica do setor energético mato-grossense.

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