Programa Tolerância Zero retira 3.747 celulares de presídios de Mato Grosso

Ações no sistema penitenciário de Mato Grosso removeram celulares, chips, drogas e drones ao longo de um ano, segundo balanço da Sejus.

O programa Tolerância Zero retirou 3.747 celulares de dentro das unidades prisionais de Mato Grosso em pouco mais de um ano, como resultado de 1.048 operações realizadas no sistema penitenciário estadual para conter a atuação de facções criminosas.

O balanço, divulgado pela Secretaria de Justiça, aponta que as ações ocorreram entre novembro do ano passado e dezembro deste ano e tiveram impacto direto na retirada de meios usados por presos para comunicação externa e articulação de crimes.

Além dos celulares, as equipes da Polícia Penal apreenderam 1.457 chips de telefonia durante as revistas e operações de segurança. Conforme informações da Sejus, os aparelhos eram utilizados para manter contato com o lado de fora das unidades e para ordenar práticas criminosas.

O levantamento oficial mostra que as ações do programa também resultaram na apreensão de outros materiais proibidos. Foram recolhidas 7.259 porções de drogas, 1.579 carregadores, 59 drones e 526 armas artesanais ao longo do período analisado.

As operações do Tolerância Zero foram realizadas em 41 unidades prisionais do estado. A Penitenciária Central do Estado, maior unidade do sistema, concentrou 196 ações de segurança, segundo dados oficiais.

Combate aos drones e reforço da vigilância

Uma das estratégias mais frequentes das facções para tentar burlar a segurança das unidades prisionais tem sido o uso de drones para lançar celulares e drogas nos pátios. De acordo com a Sejus, o trabalho de monitoramento e repressão resultou na apreensão de 59 aparelhos desse tipo em pouco mais de um ano.

O destaque está na Penitenciária de Rondonópolis, onde o reforço na vigilância e no monitoramento aéreo resultou na apreensão de 45 drones somente neste ano. As medidas foram adotadas para impedir o ingresso de materiais ilícitos, principalmente celulares.

Segundo o secretário de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato, o enfrentamento às facções passa diretamente pela reorganização da política penitenciária. Ele avalia que as ações têm como foco fechar o cerco às atividades criminosas e fortalecer a ordem interna nas unidades.

Unidades sem registros recentes de ilícitos

Levantamento da Sejus aponta que 85% das unidades prisionais do estado passaram os últimos seis meses sem registrar apreensões de materiais ilícitos, sobretudo celulares, ou tiveram apenas um flagrante no período entre novembro do ano passado e dezembro deste ano.

De acordo com os dados, em outras seis unidades foram registradas entre duas e quatro ocorrências, enquanto 18 unidades não tiveram nenhum tipo de apreensão durante as operações do programa.

Entre as unidades com zero registro de material ilícito estão os Centros de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo e Lucas do Rio Verde; as unidades femininas de Nortelândia, Colíder, Arenápolis e Cáceres; além das cadeias masculinas de Araputanga, Chapada dos Guimarães, São Félix do Araguaia, Mirassol d’Oeste, Nobres, Porto Alegre do Norte e a Colônia Penal Agrícola das Palmeiras.

O secretário afirma que o trabalho é contínuo e que as operações seguem em andamento para reforçar a disciplina interna e impedir a reorganização de grupos criminosos dentro do sistema prisional, conforme informações da Secretaria de Justiça.

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