Quatro integrantes de uma facção criminosa foram presos em flagrante pela Polícia Militar nesta segunda-feira (11), suspeitos de envolvimento em um caso de tribunal do crime em Guarantã do Norte, no norte de Mato Grosso. Conforme divulgado pelo 15º Comando Regional da PM, dois homens e duas mulheres, com idades entre 18 e 34 anos, mantinham um adolescente de 16 anos amarrado e sob tortura em uma boate localizada às margens da BR-163.
Segundo a Polícia Militar, equipes da Força Tática e do Raio chegaram ao local após informações repassadas pela Agência Regional de Inteligência sobre a realização de um suposto “salve” — termo utilizado por facções criminosas para punições internas conhecidas como tribunal do crime. No imóvel, os policiais encontraram o menor com diversas lesões pelo corpo.
Vítima relatou dívida com facção
Conforme relato do adolescente aos policiais, ele estaria sendo submetido ao chamado tribunal do crime por causa de uma suposta dívida com integrantes da quadrilha. A reportagem apurou que o grupo utilizava o estabelecimento comercial como ponto de encontro da facção.
Durante buscas no imóvel, os militares apreenderam:
- uma pistola municiada;
- uma faca;
- uma balança de precisão;
- diversos pinos usados para armazenamento de drogas.
As duas mulheres detidas foram identificadas, segundo a PM, como proprietárias da boate onde o adolescente era mantido em cárcere.
Suspeito alegou ter sofrido “salve” anterior
Um dos homens presos apresentava escoriações pelo corpo e afirmou aos policiais que teria sido vítima de um “salve” anterior aplicado pela própria facção, além de ter se envolvido em um acidente de motocicleta na cidade.
O adolescente resgatado recebeu atendimento e foi encaminhado à delegacia junto com os suspeitos e todo o material apreendido. O caso será investigado pela Polícia Civil.
O que é o “tribunal do crime”
O chamado tribunal do crime é uma prática criminosa utilizada por facções para aplicar punições a integrantes ou pessoas consideradas devedoras ou “infratoras” das regras impostas pelo grupo. Essas ações podem envolver tortura, cárcere privado e homicídios.
De acordo com o Código Penal Brasileiro, crimes como sequestro, tortura e associação criminosa possuem penas que podem ultrapassar 20 anos de prisão, dependendo das circunstâncias e da participação dos envolvidos.
Denúncias podem ser feitas anonimamente
A Polícia Militar reforçou que denúncias sobre atividades criminosas podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 190 e 0800.065.3939. Segundo a corporação, informações repassadas pela população ajudam no combate às facções criminosas em cidades do interior do estado.
Reportagem baseada em informações oficiais divulgadas pela Polícia Militar de Mato Grosso.
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