Polícia de Mato Grosso deflagra ação para cortar comunicação entre líderes presos e criminosos nas ruas

Ação da Polícia Civil apreendeu drogas e celulares na PCE e investiga crimes ordenados de dentro do presídio.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (31), a Operação Linha Cortada, com o objetivo central de desarticular a comunicação de lideranças criminosas custodiadas na Penitenciária Central do Estado (PCE). A investigação, conduzida pela Divisão de Homicídios da 1ª Delegacia de Polícia de Cáceres, revelou que crimes graves como homicídios, sessões de tortura e a corrupção de menores vinham sendo ordenados diretamente de dentro do sistema prisional por integrantes de uma facção criminosa.

Durante as diligências realizadas nos pavilhões da unidade, os agentes apreenderam quatro aparelhos celulares e uma quantidade expressiva de entorpecentes, totalizando 138 porções de maconha e 219 de haxixe. Segundo o delegado Fábio Viana Mateus, a apreensão desses materiais é uma prova contundente da tentativa de manutenção do poder paralelo por parte dos detentos, que utilizam a tecnologia para coordenar ações ilícitas nas ruas mesmo sob a guarda do Estado.

A estratégia da Polícia Civil com a Operação Linha Cortada foca em interromper o fluxo de ordens que alimenta a violência urbana em Mato Grosso. O uso de celulares em presídios é reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como um dos maiores desafios da segurança pública nacional, pois permite que líderes de facções mantenham sua influência ativa. A operação integra um conjunto de ações estratégicas que incluem o monitoramento de comunicações ilegais e o reforço de operações integradas com o sistema penitenciário.

As investigações apontam que os suspeitos mantinham influência direta sobre crimes cometidos fora dos muros da prisão, reforçando um padrão de atuação onde o isolamento penal não impedia a continuidade das atividades ilícitas. “O objetivo da Operação Linha Cortada é justamente interromper essas ordens que partem de dentro das unidades prisionais”, afirmou o delegado em nota oficial.

O material apreendido passará por perícia técnica para identificar novos alvos e ramificações da organização criminosa fora dos presídios. A Polícia Civil informou que novas fases da investigação não estão descartadas e que o trabalho seguirá para responsabilizar todos os envolvidos, tanto dentro quanto fora do sistema.

O foco da instituição permanece na asfixia comunicativa e financeira das facções para reduzir os índices de criminalidade violenta no estado. “Nosso compromisso é enfraquecer essas estruturas e garantir maior segurança à população”, concluiu a autoridade policial, reafirmando a continuidade das ações de combate ao crime organizado em Mato Grosso.

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