Justiça abre exceção e libera repasse de consignados para apenas uma financeira em Mato Grosso

Enquanto rivais continuam com fundos congelados por suspeita de fraude, empresa isolada consegue manobra para receber dinheiro direto da folha dos servidores estaduais

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) abriu a primeira grande rachadura no bloqueio financeiro que sufoca as empresas de crédito consignado investigadas por supostas irregularidades no funcionalismo público estadual.

Em uma decisão cirúrgica, a Corte autorizou que os descontos feitos nos salários dos servidores voltem a ser repassados diretamente para o caixa de apenas uma das instituições envolvidas no imbróglio.

O Palácio Paiaguás apressou-se em fechar o cerco para evitar um efeito cascata: o Governo do Estado confirmou que a medida é uma exceção isolada.

Na prática, o dinheiro dos empréstimos tomados por servidores junto às demais marcas que estão sob o pente-fino da auditoria — como a Capital Consig e a Cartos — continuará retido na fonte e depositado mensalmente em uma conta judicial trancada, sem previsão de liberação.

Jogo de empurra e documentos sonegados travam auditoria

O cabo de guerra que envolve os contracheques do funcionalismo público começou a esquentar no fim de junho, quando a desembargadora Vandymara Zanolo mandou reter os repasses. A estratégia do Judiciário foi criar uma espécie de cordão de isolamento: o servidor continuava pagando as parcelas para não ficar inadimplente, mas o dinheiro não ia para as empresas; ficava guardado até que o Estado validasse os contratos.

A auditoria, que deveria durar 120 dias, virou um jogo de empurra. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) acusa o consórcio de financeiras de jogar contra o relógio e boicotar a fiscalização. Segundo o governo, o cronograma estourou porque as empresas investigadas simplesmente “sumiram” com os documentos, sonegando dados básicos, cadastros e o espelho das bases contratuais exigidas pelos auditores estaduais.

⚖️ O histórico da queda de braço na Capital

A disputa pelos bastidores da folha de pagamento do Estado já acumula capítulos tensos na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá:

  • O primeiro round: O Ministério Público (MPMT) e sindicatos tentaram suspender totalmente a cobrança dos empréstimos para proteger o bolso do trabalhador, mas o pedido foi negado pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, que temeu uma quebra de contrato em massa.

  • A saída do meio-termo: Dias depois, a segunda instância encontrou a saída intermediária — manteve o desconto no contracheque do funcionalismo, mas confiscou o destino do dinheiro, depositando-o em juízo.

Ao conseguir se descolar do grupo principal por meio de uma ação individual paralela, a financeira beneficiada (Eagle SCD) conseguiu reabrir sua torneira de faturamento em Mato Grosso. Enquanto isso, o grosso do dinheiro do setor segue congelado pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).

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