MPMT e Prefeitura debatem política de cuidadores para enfrentar falta de vagas em asilos em Cuiabá

Audiência pública revela déficit de acolhimento e propõe auxílio financeiro para que idosos permaneçam em suas residências com assistência qualificada.

A 34ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá promoveu, na tarde desta segunda-feira (11), uma audiência pública para discutir alternativas urgentes de proteção à pessoa idosa em situação de hipervulnerabilidade.

O debate, liderado pelo promotor Daniel Balan Zappia, focou em dois eixos principais: o gargalo crítico de vagas em Instituições de Longa Permanência (ILPIs) e a criação de uma inédita política municipal de cuidadores domiciliares.

Atualmente, Cuiabá possui pelo menos 88 idosos aguardando formalmente por uma vaga em instituições de acolhimento, enquanto a única unidade conveniada opera acima da capacidade.

No entanto, o delegado titular da Delegacia do Idoso, Marcos Veloso, alertou que este número pode ser muito maior, estimando que a demanda real supere 300 pessoas em necessidade imediata de suporte.

A Proposta: Prioridade ao Convívio Comunitário

Diferente da solução tradicional de institucionalização (asilos), o Ministério Público defende um modelo que preserve os vínculos familiares e o convívio do idoso em seu próprio bairro.

  • Programa de Cuidadores: Implementação de uma política que ofereça auxílio financeiro para cuidadores habilitados — sejam familiares ou profissionais cadastrados.

  • Assistência Domiciliar: Foco em manter o idoso em sua residência para evitar os impactos emocionais do isolamento.

  • Rede Multidisciplinar: Acompanhamento periódico de equipes de saúde e assistência social para fiscalizar o cuidado e prevenir casos de negligência ou abandono.

Desafios Estruturais e Orçamentários

A audiência expôs a fragilidade da rede atual. A procuradora-chefe judicial de Cuiabá, Bianca Botter Zanardi, confirmou que, embora o projeto para uma ILPI municipal com 100 vagas já tenha recursos garantidos, a unidade já nascerá com sua capacidade praticamente esgotada pela demanda reprimida.

Outro ponto crítico levantado por Jerônimo Urei, vice-presidente do Conselho Municipal do Idoso, foi a questão financeira. Ele apontou uma disparidade no investimento público: enquanto o acolhimento de crianças e adolescentes recebe cerca de R$ 900 mil, a política para idosos conta com aproximadamente R$ 150 mil. “Se queremos resolver, precisamos falar de orçamento”, enfatizou.

Próximos Passos e Encaminhamentos

Ao final do encontro, o promotor Daniel Balan Zappia anunciou medidas concretas para o mês de junho de 2026:

  1. Projeto de Lei: Reunião técnica para redigir o texto legal que criará o programa de cuidadores domiciliares.

  2. Fluxo de Comunicação (POP): Criação de um Procedimento Operacional Padrão para integrar hospitais, conselhos e secretarias, garantindo que denúncias de maus-tratos sejam processadas com agilidade.

  3. Centro de Convivência: Instalação de procedimentos para criar uma nova unidade de atendimento na região oeste da capital.

  4. Recursos: Intervenção para liberação de verbas do Fundo Municipal do Idoso e investigação da viabilidade de atendimentos especializados no Hospital Militar.

A audiência reforçou que a solução para a terceira idade em Cuiabá depende de um “mosaico” de ações que combine novas vagas físicas, centros-dia e, prioritariamente, o fortalecimento da assistência no ambiente familiar.

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