A desarticulação das cadeias financeiras e logísticas do narcotráfico em solo mato-grossense ganhou um desfecho de forte impacto material. Sob a coordenação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), a Polícia Civil de Mato Grosso realizou a incineração de aproximadamente três toneladas de entorpecentes. A destruição em massa da carga ocorreu na manhã de sexta-feira (19), utilizando as caldeiras de uma fornalha industrial de alta capacidade térmica localizada no Distrito Industrial de Cuiabá.
O procedimento operacional integra os ritos formais de eliminação de ativos ilícitos atrelados a inquéritos policiais judiciários em andamento e processos com trânsito em julgado. A eliminação do passivo logístico esvazia os depósitos de segurança da instituição e cumpre de forma estrita as exigências sanitárias e penais estabelecidas pela legislação federal de entorpecentes em vigor.
Carga queimada reúne maconha, cocaína pura e drogas sintéticas
O volume expressivo de entorpecentes reduzidos a cinzas englobou uma ampla variedade de substâncias de alto valor comercial no mercado paralelo. A pesagem oficial apontou o descarte de fardos de maconha, pasta base de cocaína, cloridrato de cocaína (pó com alto grau de pureza) e comprimidos de drogas sintéticas.
O montante acumulado reflete o desempenho de apreensões táticas em estradas, perímetros urbanos e portos secos, fruto do compartilhamento de dados de inteligência entre a Polícia Civil de Mato Grosso, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Federal. A incineração de três toneladas de drogas está ancorada no plano estratégico da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), dividida entre os eixos de contenção da Operação Pharus e as incursões do programa Tolerância Zero de repressão a facções criminosas.
Ação integra a 6ª fase da Operação Narke do Ministério da Justiça
A queima dos entorpecentes em Cuiabá também repercute na arquitetura de segurança nacional. O esforço logístico compôs a sexta fase da Operação Narke, ofensiva coordenada pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc), sob a tutela direta da Senasp e da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O delegado titular da Denarc, Wilson Cibulski Júnior, assinalou que o ato simbólico e prático da incineração de três toneladas de drogas traduz o aperto do cerco policial nas rotas de escoamento que cortam o estado. O presidente do núcleo especializado enfatizou que a asfixia das bocas de fumo e o confisco de grandes carregamentos retiram o poder de investimento das organizações criminosas na região.
Auditoria do Ministério Público e Vigilância Sanitária garante legalidade
Para assegurar a lisura de todo o processo de destruição e a correta destinação dos resíduos atmosféricos, a operação de transporte e queima foi submetida a um rígido protocolo de controle externo. O evento foi auditado in loco por fiscais de órgãos de controle, peritos criminais e promotores de Justiça, que acompanharam desde o rompimento dos lacres dos malotes até a combustão completa das substâncias.
As atas de incineração foram formalizadas e anexadas aos respectivos autos de apreensão judiciários, encerrando o ciclo de custódia e comprovando a eficácia punitiva e administrativa das forças policiais atuantes em Mato Grosso.
Reportagem baseada em autos de destruição de entorpecentes da Denarc-MT, editais de incineração da Comarca de Cuiabá e relatórios estatísticos da Diretoria de Inteligência da Operação Narke.
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