Mato Grosso registra 9 feminicídios no 1º trimestre de 2026

Levantamento aponta cinco feminicídios em março em Mato Grosso, consolidando o mês como o mais violento do trimestre, segundo avaliação do MPMT.

Mato Grosso já soma nove feminicídios no primeiro trimestre de 2026, com destaque para o mês de março, que concentrou cinco casos e se tornou o período mais violento do ano até o momento.

De acordo com levantamento citado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), foram registrados dois feminicídios em janeiro, dois em fevereiro e cinco em março. Embora os números sejam semelhantes aos do ano anterior, especialistas apontam que a manutenção dos índices evidencia falhas na prevenção.

Segundo a procuradora Claire Vogel Dutra, do MPMT, a estabilidade dos dados não representa avanço. “Se a gente não consegue reduzir, significa que estamos falhando na prevenção. Permanecer com os mesmos números não é positivo”, afirmou.

Ainda conforme a procuradora, o estado ocupa atualmente a terceira posição no ranking nacional de feminicídios. O aumento da taxa, que passou de 2,5 para 2,7, acompanha uma tendência de crescimento em todo o país.

Ela destaca que o feminicídio, na maioria dos casos, é o desfecho de um ciclo contínuo de violência. “Antes disso, há controle, violência psicológica, ameaças e agressões físicas. Faltou, em muitos casos, uma rede de apoio eficaz para interromper esse ciclo”, explicou.

Dados apontam ainda que grande parte das vítimas não formalizou denúncia. Conforme o MPMT, a maioria das mulheres assassinadas não registrou boletim de ocorrência, e uma parcela ainda menor solicitou medidas protetivas.

Apesar disso, as medidas são consideradas eficazes quando aplicadas. Em 2025, mais de 18 mil medidas protetivas foram concedidas no estado. Entre esses casos, sete vítimas morreram, sendo que em três houve retomada do relacionamento com o agressor.

A procuradora também defende a ampliação do monitoramento eletrônico. Segundo ela, não há registro de feminicídios em casos com tornozeleira ativa, o que reforça a efetividade do recurso, ainda pouco utilizado em todo o estado.

Outro ponto levantado é a necessidade de integração entre instituições e o enfrentamento de fatores culturais, como o machismo e a disseminação de discursos de ódio contra mulheres, especialmente em ambientes digitais.

Avanços na legislação

No mesmo cenário, o Senado Federal aprovou nesta semana projetos relacionados ao combate à violência contra a mulher. Um deles criminaliza a misoginia, equiparando a prática ao crime de racismo, com penas de dois a cinco anos de prisão.

Outra proposta endurece as punições para o chamado vicaricídio — quando filhos ou familiares são assassinados para atingir a mulher. O crime passa a ser classificado como hediondo, com penas de 20 a 40 anos de reclusão, além de multa. O texto segue para sanção presidencial.

Para a procuradora, as mudanças legislativas são relevantes, mas insuficientes isoladamente. “Segurança pública e leis mais duras são importantes, mas não suficientes. Precisamos investir em educação, saúde e assistência social”, pontuou.

As vítimas registradas em março são: Gabia Socorro da Silva, 38 anos; Estefany Pereira Soares, 17; Simone da Silva Matiuzi, 35; Luíza Regina Oliveira Zanoni, 29; e Nathaly Gonçalves, 19.

O MPMT reforça que o enfrentamento ao feminicídio exige atuação conjunta do poder público e da sociedade, com foco na prevenção e no incentivo à denúncia para interromper ciclos de violência antes que resultem em morte.

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