O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) emitiram um alerta urgente sobre a situação crítica do povo Katitãurlu, da etnia Nambikwara, na Terra Indígena (TI) Sararé, em Mato Grosso.
A expansão descontrolada do garimpo ilegal na região, que hoje lidera os índices de exploração ilícita no Brasil, coloca em risco não apenas o meio ambiente, mas a própria existência social e física dessa comunidade.
As instituições denunciam que a União e órgãos federais como Ibama, Funai, ANM e Incra ainda não cumpriram integralmente uma decisão liminar de 2022.
A justiça havia determinado a criação de um plano de ação integrado para expulsar invasores e recuperar a área, mas, três anos depois, as medidas efetivas ainda não saíram do papel.
Domínio de organizações criminosas
Um dos pontos mais alarmantes do relatório é a infiltração de facções criminosas no território. Investigações da Polícia Federal e do Ibama no “Garimpo do Cururu” revelaram que membros do Comando Vermelho exercem o controle de áreas dentro da TI.
Estes grupos atuam fortemente armados, utilizando inclusive armamento de uso restrito para garantir a continuidade da extração de ouro e intimidar tanto os indígenas quanto as autoridades.
Impactos socioambientais e de saúde
A atividade garimpeira tem deixado um rastro de destruição que afeta diretamente o modo de vida dos Nambikwara:
- Contaminação: O uso indiscriminado de mercúrio compromete os recursos hídricos e a saúde da população.
- Degradação: A destruição da floresta impede a subsistência tradicional da comunidade.
- Violência: O aumento da criminalidade organizada gera um clima de insegurança constante e risco de confrontos fatais.
O MPF e a DPU reforçam que a omissão estatal pode levar a um cenário de violência extrema e reiteram a necessidade imediata de uma intervenção coordenada para desarticular as frentes de garimpo e proteger a integridade cultural e física do povo Katitãurlu.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.