A sessão plenária do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) contou com a participação de 42 estudantes do curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), vindos do campus de Cáceres.
A comitiva acadêmica, integrada por alunos veteranos do 9º semestre e calouros das fases iniciais, pôde acompanhar de perto o rito dos julgamentos por meio do projeto Voto Consciente, desenvolvido pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE-MT).
A recepção aos universitários foi conduzida pela presidente do tribunal, desembargadora Serly Marcondes Alves.
Em seu pronunciamento, a magistrada enfatizou o papel dos futuros juristas como multiplicadores de informações confiáveis perante a sociedade civil, convocando os jovens a utilizarem o conhecimento técnico adquirido para combater a desinformação e reforçar a segurança das urnas eletrônicas e a transparência do processo democrático.
Carreira jurídica e a composição híbrida da Corte Eleitoral
O caráter pedagógico da visita também foi destacado pelo desembargador Lídio Modesto, juiz-membro substituto da Corte. Ao parabenizar os estudantes pela escolha da graduação, o magistrado ressaltou o amplo leque de caminhos profissionais oferecidos pelas ciências jurídicas — como a magistratura, a advocacia, o Ministério Público e as carreiras policiais —, destacando a ética como pilar indispensável em todas elas.
Lídio Modesto detalhou ainda a natureza peculiar da estrutura organizativa da Justiça Eleitoral em Cuiabá. Por se tratar de um modelo híbrido, o pleno do tribunal reúne visões complementares ao integrar desembargadores, juízes estaduais, advogados de notório saber jurídico e membros do Ministério Público Federal (MPF), fator que, segundo ele, universaliza os debates e qualifica as decisões que impactam diretamente os municípios de Mato Grosso hoje.
Função consultiva, acervo histórico e o depósito de urnas
Após o encerramento do expediente no plenário, a imersão prática continuou na galeria de ex-presidentes da instituição. O diretor da EJE-MT, juiz-membro Welder Queiroz, detalhou as diferentes frentes de atuação do colegiado. Além de julgar os litígios decorrentes das campanhas, o tribunal exerce papéis administrativos e possui uma relevante função consultiva — respondendo a questionamentos em tese sobre a legislação, sem que haja a necessidade de vinculação a um caso concreto.
O itinerário dos estudantes incluiu ainda uma visita ao Memorial Eleitoral e ao Depósito de Urnas Eletrônicas, estruturas localizadas na Casa da Democracia, anexa ao tribunal. No local, o grupo assistiu a uma palestra técnica ministrada pelo coordenador de Soluções Corporativas da instituição, Carlos Henrique Cândido, que detalhou os mecanismos de auditoria e segurança dos equipamentos.
A ponte entre as salas de aula e a prática nos tribunais
Para o corpo docente da Unemat, a experiência cumpre um papel pedagógico essencial. O professor de Direito Eleitoral, José Renato de Oliveira Silva, avaliou a sessão plenária como uma verdadeira “superaula”, proporcionando aos acadêmicos a oportunidade de confrontar as teorias dos livros com as sustentações orais e os votos fundamentados dos magistrados em tempo real.
Segundo a coordenação do curso, a iniciativa de tirar os estudantes da sala de aula é fundamental para enriquecer a jornada acadêmica e expandir a compreensão de como a democracia ocorre de fato. A atividade demonstrou que as discussões técnicas no tribunal são complexas, exigindo dos futuros profissionais um olhar qualificado sobre o confronto de direitos fundamentais nos casos concretos.
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