Estudantes da etnia Umutina deixam a aldeia para descobrir os museus e a história de Cuiabá

Ação do projeto Caminhos da Cultura levou 42 crianças e adolescentes de Barra do Bugres para um roteiro histórico no Complexo do Porto, MISC e Galeria Lava Pés.

Uma sexta-feira (29) de quebra de barreiras geográficas e imersão cultural para 42 estudantes da Escola Indígena Umutina, localizada em Barra do Bugres, Mato Grosso.

Com idades entre 11 e 17 anos, os jovens deixaram suas comunidades de origem para vivenciar um roteiro pedagógico inédito pelos principais equipamentos históricos, ambientais e artísticos da capital mato-grossense.

O ponto de partida da jornada foi o Complexo Biocultural do Porto, que abriga o Museu do Rio Cuiabá, o Aquário Municipal e a revitalizada Orla do Porto. Para a maioria esmagadora do grupo, a viagem significou o primeiro contato direto com o conceito e o acervo de um museu.

Intercâmbio de saberes e o projeto Caminhos da Cultura

A expedição cultural foi viabilizada pelo projeto Caminhos da Cultura, uma iniciativa independente criada em 2019 pelo artista plástico e produtor cultural Vicente Paulo. O programa tem como missão democratizar o acesso à arte e à história, transportando estudantes da rede pública, quilombolas, ribeirinhos e povos originários para fora das salas de aula tradicionais. Desde sua fundação, o projeto já inseriu mais de 11 mil alunos no circuito cultural do estado.

Desta vez, o foco foi a juventude Umutina, que viajou sob a tutela das professoras Eliane Boroponepa Monzilar (da Aldeia Boropó) e Ana Lúcia Calomezoré (da Aldeia Balotipone).

“Esse projeto proporciona às crianças e aos jovens indígenas a oportunidade de conhecer outros saberes. É uma troca importante entre a cosmologia e o conhecimento do nosso povo e a memória urbana da capital, permitindo que eles compreendam a importância desses espaços de preservação”, destacou a educadora Eliane Boroponepa.

Roteiro guiado e os encantos do Museu do Rio

No Complexo do Porto, a comitiva indígena estreou o novo formato de recepção do espaço. Antes de circular pelas galerias, os alunos participaram de uma palestra de contextualização histórica conduzida pela coordenadora pedagógica do museu, Luana da Cruz Borema.

A servidora e turismóloga Silvana Maria de Morais Abdala, que atua há quase duas décadas no setor, relatou o forte impacto visual que o acervo causou nos adolescentes:

  • Fotografias Antigas: O registro em preto e branco do nascimento de Cuiabá chamou a atenção pela diferença com a paisagem natural das aldeias;

  • Maquete da Cidade: A representação miniatural do traçado urbano despertou curiosidade geográfica e espacial no grupo;

  • Aquário Municipal: O contato com as espécies nativas da Bacia do Rio Cuiabá dialogou diretamente com a relação de sustentabilidade e subsistência que a etnia mantém com as águas em sua região de origem.

Maratona cultural na capital

O aprendizado expandido não parou na Orla do Porto. Para consolidar o dia de formação cidadã e repertório cultural, o cronograma dos estudantes Umutina incluiu paradas estratégicas no Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC), na Galeria Lava Pés (focada em artes plásticas contemporâneas) e nas ricas coleções arqueológicas e paleontológicas do Museu de História Natural de Mato Grosso.

Ao final do circuito, o projeto cumpre sua meta de alinhar a preservação da identidade dos povos originários com o reconhecimento do patrimônio histórico que moldou o estado.

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