Disputa territorial entre Mato Grosso e Pará: STF busca conciliação por área de 22 mil km²

Sem acordo em audiência liderada pelo ministro Flávio Dino, Assembleia Legislativa de MT propõe plebiscito; prefeitos cobram segurança jurídica para atender a população da divisa.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova rodada de tratativas técnicas para tentar solucionar um dos impasses geográficos mais complexos do país: a disputa por uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados na fronteira de Mato Grosso com o Pará.

A decisão foi tomada após a audiência de conciliação realizada no âmbito da Ação Rescisória 2964, liderada pelo ministro relator Flávio Dino.

Embora o encontro tenha terminado sem um acordo definitivo, o foco da Suprema Corte agora está em garantir a eficiência dos serviços públicos e a estabilidade jurídica para os moradores da região.

De acordo com o ministro Flávio Dino, o objetivo central do STF é encontrar saídas concretas para os desafios diários enfrentados pela população local, que sofre com a indefinição de limites.

Áreas sensíveis como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e regularização fundiária estão no centro do debate sobre Mato Grosso hoje.

Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) defende consulta popular

Uma das posturas mais firmes durante a audiência partiu da comitiva mato-grossense. O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi, defendeu que o bem-estar dos moradores deve se sobrepor às discussões cartográficas. Entre as propostas levadas pelo parlamentar, destaca-se a realização de um plebiscito, permitindo que a própria população da área afetada decida qual unidade federativa deseja integrar.

“A prioridade absoluta precisa ser o cidadão que vive na região, e não apenas o desenho das linhas no mapa”, destacou o presidente da ALMT.

Além do plebiscito, a liderança de MT sugeriu que o STF promova uma audiência pública diretamente na região conflagrada. Outro ponto crucial abordado foi a criação de um “escudo jurídico” para os prefeitos dos municípios mato-grossenses vizinhos. A medida visa garantir que os gestores de Mato Grosso possam aplicar recursos e prestar serviços públicos essenciais sem o temor de sofrerem punições ou questionamentos por órgãos de fiscalização, como o Ministério Público e os Tribunais de Contas.

Logística e o impacto do atendimento de saúde em Mato Grosso

A urgência em resolver a questão ganha contornos dramáticos quando analisada a logística local. De acordo com os dados apresentados nas notícias de Mato Grosso, muitos moradores da área de litígio precisam viajar mais de mil quilômetros para buscar assistência básica no Pará. Em contrapartida, diversos municípios mato-grossenses estão geograficamente muito mais próximos e estruturados para oferecer o atendimento imediato.

A integração prática entre as populações já é uma realidade no Sistema Único de Saúde (SUS). O parlamento de MT revelou que as cidades de Mato Grosso já realizaram cerca de 20 mil atendimentos médicos a cidadãos registrados no Pará, demonstrando que a demanda social e econômica naturalmente se inclina para o território mato-grossense.

Governo do Pará defende decisões anteriores e cita investimentos

Por outro lado, as autoridades paraenses, representadas pela governadora Hana Ghassan Tuma, bateram na tecla da segurança jurídica baseada em decisões anteriores da Suprema Corte. A comitiva do Pará defendeu o respeito à delimitação que já havia sido homologada pelo STF e apresentou relatórios detalhando os investimentos recentes do governo paraense em escolas, postos de saúde e infraestrutura asfáltica nos municípios afetados.

Histórico: O tamanho da disputa na divisa

A controvérsia envolve uma extensão territorial equivalente ao tamanho do estado de Sergipe. O mapa em disputa abrange fatias estratégicas de municípios paraenses de grande extensão territorial, como:

  • Jacareacanga

  • Novo Progresso

  • Altamira

  • São Félix do Xingu

  • Cumaru do Norte

  • Santana do Araguaia

No ano de 2020, ao julgar a Ação Cível Originária (ACO) 714, o Supremo Tribunal Federal havia mantido a divisa estabelecida pelas convenções oficiais de 1922. Contudo, em maio de 2023, o Estado de Mato Grosso ingressou com a ação rescisória atual, alegando inconsistências técnicas e buscando a anulação daquela sentença para reaver o território. O processo segue como um dos temas jurídicos e econômicos mais monitorados no cenário nacional.

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