Em meio a relatos urgentes sobre o desequilíbrio ecológico em terras ancestrais, o projeto de pesquisa ‘Educomunicação socioambiental e mudanças climáticas em territórios indígenas de Mato Grosso‘ (Educom.Socioambiental) realizou o primeiro encontro de capacitação de seu itinerário formativo.
O evento virtual, ocorrido no último dia 2 de junho de 2026, marcou o início de uma articulação que une a academia e grandes nomes do cinema indígena para fortalecer as narrativas de preservação frente à crise climática global.
A potência do projeto está ancorada na contratação de realizadores e comunicadores nativos como pesquisadores cinematográficos. Entre eles, a cineasta Kujãesage Kaiabi, do povo Kaiabi (Território Indígena do Xingu), trouxe um depoimento contundente sobre as transformações ecológicas que atingem diretamente a segurança alimentar de suas comunidades:
“No Baixo Xingu, minha região, estão morrendo muitos peixes e a gente está preocupada com isso. É importante que a gente ocupe mais espaço e converse sobre o que está acontecendo nas aldeias para fortalecer o nosso coletivo, a mídia indígena. A minha luta é sempre dizer em cada espaço que ocupo que a gente precisa parar para pensar sobre o que queremos para o futuro.”
Interculturalidade acadêmica e cronograma de debates
A abertura técnica e metodológica do curso foi conduzida por um corpo docente interinstitucional, composto pelas professoras Antonia Alves Pereira e Rosana Alves de Oliveira, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat); Patrícia Kolling, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT – Câmpus Araguaia); e Carolina Machado Oliveira, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido. As discussões alinham as produções comunicativas locais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima; e ODS 15/20 – Vida Terrestre).
As trocas de saberes ocorrerão de forma digital e contínua, sempre às terças-feiras, estendendo-se até o final do terceiro trimestre. O calendário oficial de seminários virtuais ficou assim definido:
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23 de junho: Produção audiovisual Xavante, Manoki e Myky e produção educomunicativa Guarani.
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Convidados: Caimi Wassé Xavante (TI Pimentel Barbosa), Tjpju Myky (TI Menky) e Mário Villalva (Unila).
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11 de agosto: Produção audiovisual Kuikuro, Kisedje e internacional: Oportunidades, festivais e mercado.
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Convidados: Carolina Machado Oliveira (Bournemouth), Kamikia Kisedje e Takumã Kuikuro (TI Xingu).
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25 de agosto: Produção audiovisual Ikpeng, Kaiabi, Rede Xingu+ e perspectivas para a produção e distribuição audiovisual indígena no cenário nacional.
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Convidados: Ariane Porto (Instituto Porto), Kamatxi Ikpeng e Kujãesage Kaiabi (TI Xingu).
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15 de setembro: Educomunicação socioambiental e emergência climática em territórios indígenas.
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Convidadas: Carmen Gattás (CECSA-SP), Franciele Lisboa (Ministério dos Povos Indígenas) e Thais Brianezi (USP).
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29 de setembro: Desinformação, educação midiática, etnojornalismo e notícias do movimento indígena brasileiro.
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Convidados: Helena Corozomaé (OPAN), Patrícia Kolling (UFMT) e Rosana Alves de Oliveira (Unemat).
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Fase de campo: Oficinas em cinco territórios
Os seminários teóricos servem como alicerce preparatório para as etapas práticas de campo do projeto. Cientistas e cineastas visitarão cinco territórios indígenas estratégicos em Mato Grosso para aplicar oficinas descentralizadas de comunicação, captação de imagens e jornalismo comunitário:
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TI Menku: Aldeia Japuíra, localizada no município de Brasnorte;
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TI Pimentel Barbosa: Aldeia Caçula, no município de Canarana;
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TI Rio Verde: Aldeia Rio Verde, no município de Tangará da Serra;
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TI São Domingos: Aldeia Fontoura, no município de Luciara;
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TI do Xingu: Polo Pavuru, no município de Feliz Natal.
O projeto Educom.Socioambiental conta com o suporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e funciona sob uma ampla rede de salvaguarda institucional, que inclui o apoio direto do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).
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