Às margens do Rio Tapajós, em Alter do Chão, no oeste do Pará, iniciativas de moradores indígenas vêm transformando a forma de receber visitantes na região. O que antes era apenas moradia e rotina familiar passou a integrar um modelo de turismo comunitário que une geração de renda, preservação ambiental e valorização cultural.
O casal Dórisson Borari e Maria Munduruku administra uma das hospedagens mais antigas da vila, estruturada para receber turistas sem abrir mão das referências culturais dos povos originários. A pousada reúne elementos da memória indígena local e se consolidou como espaço de convivência entre visitantes e comunidade.
Segundo Dórisson, a proposta sempre foi manter viva a identidade da região enquanto se compartilha o território com responsabilidade. Ele destaca que a presença de diferentes povos ao longo da história moldou a diversidade cultural do local.
Maria Munduruku reforça que o espaço foi pensado como uma forma de contar a história da comunidade por meio de objetos, símbolos e práticas tradicionais, preservando a identidade indígena e o vínculo com a floresta.
O modelo de turismo adotado na região é o chamado Turismo de Base Comunitária, no qual a própria comunidade administra as atividades, recebe diretamente os benefícios econômicos e reduz impactos ambientais. Em Alter do Chão, esse formato se fortalece pela proximidade com áreas de proteção ambiental e pela crescente demanda turística.
Dados do setor indicam que Santarém recebeu centenas de milhares de visitantes em 2025, com crescimento em relação ao ano anterior. Alter do Chão segue como principal destino da região, impulsionando pequenos negócios locais.
O impacto do turismo também é percebido na Floresta Nacional do Tapajós, onde empreendimentos familiares passaram a integrar gastronomia, hospedagem e atividades guiadas. Um exemplo é a Casa do Eltom, criada na comunidade de Piquiatuba, que começou de forma simples e hoje reúne serviços turísticos estruturados com participação da família e de moradores locais.
De acordo com relatos de empreendedores da região, a atividade turística mudou a realidade econômica de muitas famílias, permitindo que jovens permaneçam em suas comunidades e encontrem alternativas de renda ligadas à floresta.
Guias locais também desempenham papel central nesse modelo. Condutores de trilhas e passeios fluviais compartilham conhecimentos tradicionais sobre plantas, animais e usos medicinais da floresta, transformando o turismo em experiência educativa.
Para os moradores, a atividade turística também reforça a importância da preservação ambiental. Lideranças locais afirmam que o território e seus recursos naturais precisam ser protegidos diante de pressões externas e projetos que possam ameaçar o modo de vida tradicional.
Assim, o turismo comunitário no Tapajós se consolida como uma alternativa de desenvolvimento que alia economia, cultura e conservação ambiental, fortalecendo a autonomia das comunidades locais e valorizando seus saberes tradicionais.
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