Reforma Tributária exigirá nova estratégia de preços nos postos de combustíveis

Especialistas avaliam que a convivência entre o sistema atual e os novos tributos exigirá maior controle da gestão fiscal e da formação de preços durante a transição da Reforma Tributária.

A implementação gradual da Reforma Tributária no Brasil começa a mobilizar empresas de diversos setores da economia, especialmente o mercado de combustíveis. A partir de 2026, o início da fase de transição para o novo modelo de tributação deverá exigir mudanças na forma como postos de abastecimento calculam seus preços e administram a carga tributária incidente sobre gasolina, diesel e etanol.

Embora o consumidor não veja mudanças imediatas na estrutura de cobrança, empresários do setor precisarão conviver, durante alguns anos, com dois sistemas tributários funcionando simultaneamente. Esse período é apontado por especialistas como um dos principais desafios operacionais da reforma.

O que muda com a transição da Reforma Tributária?

O novo modelo prevê a implantação gradual da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributos que substituirão parte dos impostos atualmente cobrados sobre o consumo.

Durante a fase de transição, entretanto, esses novos tributos passarão a coexistir com o ICMS, imposto estadual que continuará sendo aplicado até a conclusão do processo de mudança.

Essa sobreposição de regras tende a aumentar a complexidade da gestão tributária das empresas, principalmente em segmentos onde os tributos representam parcela significativa do preço final dos produtos.

Por que o setor de combustíveis exige atenção?

Os combustíveis figuram entre os produtos mais sensíveis às alterações tributárias. A composição do preço pago pelo consumidor envolve custos de produção, distribuição, logística, margens comerciais e uma carga relevante de tributos federais e estaduais.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a tributação representa uma parcela expressiva do valor da gasolina comercializada nos postos, variando conforme o estado e a política tributária vigente.

Para Mato Grosso, onde o transporte rodoviário é fundamental para o agronegócio e para a distribuição de mercadorias, qualquer alteração na estrutura tributária do setor acompanha de perto empresários, transportadores e consumidores.

Especialista alerta para desafios na formação dos preços

Na avaliação do advogado tributarista Gustavo Maffioletti, sócio da Maffioletti & Arndt Advogados, o maior desafio estará justamente no período em que os dois sistemas funcionarão paralelamente.

Segundo ele, será necessário revisar modelos de precificação, controles fiscais e processos internos para evitar distorções que possam reduzir a rentabilidade dos postos de combustíveis.

O especialista destaca que a mudança não se limita ao aspecto jurídico, mas exige adaptações operacionais capazes de acompanhar a nova dinâmica tributária.

Empresas precisarão investir em gestão e tecnologia

Além da atualização dos sistemas de gestão, especialistas apontam que postos revendedores e distribuidoras deverão reforçar o acompanhamento da legislação tributária durante toda a fase de transição.

A correta apuração dos tributos e a definição adequada dos preços passam a ter papel ainda mais estratégico em um mercado caracterizado por margens reduzidas e elevada competitividade.

Outro desafio será manter equipes capacitadas para interpretar as novas regras e evitar inconsistências fiscais que possam gerar custos adicionais.

Reforma busca simplificar o sistema no longo prazo

A Emenda Constitucional nº 132, promulgada em 2023, estabeleceu as bases da Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil. O objetivo é substituir gradualmente diversos tributos por um modelo considerado mais simples e menos cumulativo.

No entanto, até que a transição seja concluída, empresas deverão administrar simultaneamente as regras antigas e as novas, cenário que exige planejamento financeiro e acompanhamento constante das mudanças regulatórias.

Impactos também chegam ao agronegócio de Mato Grosso

Em Mato Grosso, onde a movimentação de cargas depende fortemente do transporte rodoviário, o comportamento dos preços dos combustíveis influencia diretamente os custos logísticos do agronegócio, da indústria e do comércio.

Embora a reforma tenha como objetivo simplificar a tributação no longo prazo, especialistas avaliam que os próximos anos serão marcados por um período de adaptação. Para empresários do setor de combustíveis, antecipar ajustes na gestão fiscal e acompanhar a evolução das regras poderá ser decisivo para preservar a competitividade durante essa fase de transição.

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