Escala 6×1 entra em debate e trabalhadores priorizam mais tempo com a família

Propostas em tramitação no Congresso reacendem o debate sobre a escala 6x1, enquanto trabalhadores relatam expectativas por mais descanso e qualidade de vida.

A possibilidade de mudança na escala 6×1 tem mobilizado trabalhadores em todo o país, que veem na proposta uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida e ampliar o tempo dedicado à família e ao descanso.

Atualmente, muitos profissionais cumprem jornadas de seis dias de trabalho com apenas um de folga, rotina considerada desgastante por grande parte da categoria. O tema ganhou destaque nas manifestações do Dia do Trabalhador e também avança no Congresso Nacional, com diferentes propostas em análise.

No Rio de Janeiro, a balconista Darlen da Silva, de 38 anos, relata dificuldades para conciliar as demandas domésticas com o descanso semanal. Com duas filhas, ela afirma que o único dia de folga é insuficiente.

“É muito corrido. Tenho que resolver tudo de casa e não consigo descansar. Volto ainda mais cansada para o trabalho”, afirma.

Com 15 anos de experiência sob esse regime, Darlen diz que a possível mudança é aguardada com expectativa entre colegas. Caso seja aprovada, ela planeja dividir melhor o tempo entre tarefas domésticas e lazer. Ainda assim, demonstra preocupação com possíveis adaptações na jornada, como aumento de horas diárias.

“Se for para trabalhar mais horas por dia, não compensa. O cansaço pode ser ainda maior”, avalia.

Impacto na rotina familiar

O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, também enfrenta a rotina da escala 6×1 há uma década. Segundo ele, o dia de folga costuma ser ocupado por compromissos pessoais e familiares.

“Sempre tem algo para resolver, principalmente envolvendo os filhos. O descanso acaba ficando em segundo plano”, explica.

Para Alisson, um dia adicional de folga permitiria não apenas organizar a rotina doméstica, mas também reservar tempo para lazer e até pequenas viagens.

Em São Luís, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, considera a proposta positiva, mesmo sem acompanhar de perto as discussões políticas. Para ela, dois dias de descanso são essenciais para equilibrar trabalho e vida pessoal.

“A gente precisa de tempo para estudar, cuidar da saúde e estar com a família. Com essa escala atual, isso fica muito difícil”, afirma.

A professora Karine Fernandes, de 36 anos, destaca que a redução da jornada pode trazer benefícios não apenas aos trabalhadores, mas também às famílias como um todo.

“Mais tempo de convivência fortalece os vínculos e impacta diretamente o desenvolvimento das crianças”, observa.

Propostas em discussão

O fim da escala 6×1 está entre as prioridades da agenda trabalhista e já conta com propostas em tramitação no Congresso Nacional.

Uma delas é a PEC 221/19, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com implementação gradual ao longo de dez anos. Outra proposta, a PEC 8/25, sugere um modelo de quatro dias de trabalho por semana, também limitado a 36 horas.

Além disso, o governo federal encaminhou um projeto de lei com urgência constitucional para reduzir a jornada para 40 horas semanais e encerrar o modelo 6×1. Caso não seja votado em até 45 dias, o texto pode travar a pauta da Câmara dos Deputados.

O avanço dessas propostas pode redefinir a organização do trabalho no país e impactar diretamente a rotina de milhões de brasileiros.

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