Economia criativa avança com decreto interministerial na política nacional, diz governo na quarta-feira (17)

Sete ministérios participam da formulação de uma política nacional voltada à economia criativa, com base em escutas regionais e diálogo com o setor. Proposta busca integrar cultura, inovação e desenvolvimento econômico.

O governo federal está avançando na construção da Política Nacional de Economia Criativa, iniciativa que envolve sete ministérios e pretende consolidar o setor como eixo estratégico do desenvolvimento do país.

Durante seminário realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (17), a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC), Cláudia Leitão, explicou que a proposta será formalizada por meio de um decreto interministerial, reforçando o caráter transversal da política pública.

Segundo a secretária, a economia criativa não se limita à área cultural, estando presente também em diferentes frentes governamentais, como desenvolvimento industrial, turismo, ciência e tecnologia, trabalho, apoio a micro e pequenas empresas e integração regional.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também participou do evento e destacou que a construção do marco regulatório está sendo feita de forma coletiva, com participação de diferentes setores da sociedade.

Ela ressaltou ainda a importância de ampliar o envolvimento da iniciativa privada e de instituições financeiras no fortalecimento da economia criativa, defendendo a cultura como vetor de desenvolvimento econômico e social.

De acordo com o Ministério da Cultura, o processo de formulação da política inclui uma ampla escuta regional realizada por meio do Fórum Brasil Criativo, que percorreu as cinco regiões do país ao longo do último ano.

Essas consultas resultaram em documentos regionais que agora serão consolidados em uma proposta nacional. As atividades seguem até quinta-feira (18), quando será elaborada a Carta do Sudeste, que integrará o conjunto de contribuições.

O objetivo, segundo o governo, é estruturar um plano nacional capaz de integrar cultura, inovação, sustentabilidade, inclusão social e desenvolvimento econômico em uma única estratégia de Estado.

Durante o seminário, a ministra Margareth Menezes destacou que a economia criativa ainda enfrenta desafios de financiamento e reconhecimento como setor econômico estruturado, apesar de seu impacto social e produtivo.

Especialistas e representantes de instituições financeiras também participaram das discussões. Entre eles, a assessora do BNDES, Luciane Gorgulho, apontou que um dos principais entraves do setor está na natureza dos ativos intangíveis, o que dificulta o acesso a crédito tradicional.

Segundo ela, instrumentos financeiros específicos podem ampliar a capacidade de investimento de empreendedores criativos e fortalecer o setor.

O seminário reuniu representantes do poder público, instituições financeiras, organismos internacionais e agentes culturais, promovendo debates sobre financiamento, inovação e modelos de desenvolvimento para a economia criativa no Brasil.

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