Protesto em São Paulo cobra fim da escala 6×1 e ações contra feminicídio

Manifestação reuniu centrais sindicais e movimentos sociais que pressionam o Congresso por mudanças nas relações de trabalho e combate à violência contra mulheres.

Centrais sindicais e movimentos sociais realizaram um protesto nesta sexta-feira (1º), na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, defendendo o fim da escala 6×1 e medidas mais eficazes contra o feminicídio no Brasil. Durante o ato, manifestantes também direcionaram críticas ao Congresso Nacional, apontando insatisfação com a atuação de parlamentares.

Entre os participantes, o professor da rede pública Marco Antônio Ferreira destacou a preocupação com o avanço da chamada pejotização, modelo de contratação em que trabalhadores atuam como Pessoa Jurídica (PJ), muitas vezes sem acesso a direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias remuneradas, 13º salário e afastamento remunerado por doença.

Segundo ele, um dos principais desafios é conscientizar as novas gerações sobre a importância da formalização do trabalho. “Há um esforço contínuo para ampliar essa reflexão e mostrar os impactos do modelo atual nas condições de vida dos trabalhadores”, afirmou.

O tema ganha relevância em meio ao crescimento do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende a redução da jornada laboral. Por outro lado, setores empresariais demonstram resistência às mudanças, alegando possíveis impactos econômicos.

O governo federal enviou recentemente ao Congresso um projeto de lei que propõe a redução da carga horária semanal para 40 horas, sem diminuição salarial. A proposta tramita em regime de urgência.

Para Ferreira, a escala 6×1 compromete não apenas o descanso, mas também a participação social. “A rotina intensa dificulta até mesmo a organização coletiva por direitos”, avaliou.

Dados da pesquisa O Trabalho no Brasil indicam que 56% dos trabalhadores sem carteira assinada já tiveram vínculo formal e que 59,1% retornariam ao regime CLT. Entre pessoas fora do mercado, mais da metade também demonstrou interesse em voltar ao trabalho formal.

O levantamento também apontou confusão entre empreendedorismo e trabalho autônomo, com muitos trabalhadores classificados como empreendedores, mas, na prática, submetidos a relações precárias.

Direitos das mulheres em pauta

O protesto também destacou o aumento dos casos de feminicídio e violência de gênero no país. A pedagoga Silvana Santana afirmou que, apesar de avanços em políticas públicas, as ações ainda são insuficientes diante da gravidade do problema.

Ela defende medidas mais amplas para enfrentar desigualdades estruturais, especialmente relacionadas à população negra e às mulheres. Segundo Santana, é necessário avançar em políticas que garantam reconhecimento e proteção integral a esses grupos.

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