Estudantes criam solução sustentável para incêndios florestais e avançam em prêmio global

Duas universitárias desenvolvem um retardante de chamas de origem biológica e sem impacto ambiental. O projeto representa o Brasil em competição internacional de empreendedorismo.

Duas estudantes de biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) desenvolveram uma solução inovadora e ambientalmente sustentável para o combate a incêndios florestais. O projeto, que utiliza um retardante de chamas de origem natural, está entre os finalistas de uma competição internacional de empreendedorismo universitário.

O produto, chamado BIODEFENSER®, foi criado com base em compostos biológicos capazes de reduzir a propagação do fogo e, ao mesmo tempo, contribuir para a recuperação ambiental das áreas afetadas. A iniciativa já venceu etapas regional e nacional do Hult Prize 2026, uma das maiores competições de inovação estudantil do mundo.

Organizado pela Hult International Business School, o Hult Prize reúne milhares de equipes globais com o desafio de desenvolver startups voltadas à solução de problemas sociais e ambientais. A equipe vencedora pode receber até US$ 1 milhão em investimento inicial para estruturar o negócio.

Ao todo, cerca de 18 mil equipes participaram da edição. As estudantes Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira conquistaram destaque na etapa brasileira e garantiram vaga entre as 90 equipes classificadas internacionalmente.

Segundo Mariah, o projeto nasceu de uma inquietação pessoal ligada ao histórico familiar com o monitoramento de incêndios florestais. A estudante relata que, ao longo da pesquisa, buscou alternativas mais sustentáveis aos produtos químicos tradicionalmente utilizados no combate ao fogo, que podem causar impactos negativos ao meio ambiente.

O desenvolvimento do BIODEFENSER® teve início no final de 2024, durante um evento acadêmico da própria universidade. A pesquisa evoluiu para programas institucionais de iniciação científica e empreendedorismo, recebendo apoio de orientação acadêmica e investimento inicial para testes laboratoriais.

Os primeiros experimentos indicam que o produto é capaz de conter chamas em ambiente controlado, embora ainda não tenha sido testado em larga escala. A próxima etapa prevê a realização de testes ampliados e possíveis aplicações piloto em campo.

Além da eficiência no combate ao fogo, a proposta busca reduzir impactos ambientais, já que o material permanece ativo após a aplicação, formando uma barreira protetora no solo e na vegetação. Essa camada também pode contribuir para a recuperação da área atingida.

De acordo com a equipe, o processo de patenteamento já foi iniciado no Brasil e no exterior, com o objetivo de garantir proteção intelectual e viabilizar futuras parcerias de produção.

Dados recentes reforçam a relevância da iniciativa. Em 2024, incêndios florestais foram responsáveis por bilhões de toneladas de emissões de CO₂ no mundo, além de prejuízos econômicos bilionários. No Brasil, os registros de focos de fogo também seguem elevados, segundo órgãos de monitoramento ambiental.

O projeto das estudantes também se alinha a objetivos globais de sustentabilidade, ao propor uma tecnologia que reduz a intensidade das chamas e favorece o controle mais rápido dos incêndios, com menor consumo de recursos naturais como água.

Com a classificação para a próxima fase do Hult Prize, a equipe brasileira ainda disputa uma vaga entre os finalistas que irão a Londres. O resultado definirá quais projetos terão acesso direto à fase final da competição, prevista para setembro.

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