Mesmo com contrato de R$ 93 milhões, Hospital de Câncer sofre com falta de repasses em 2026

Deputado alerta para risco no atendimento oncológico e convoca audiência para discutir atraso de pagamentos ao hospital.

O atendimento a pacientes com câncer em Mato Grosso pode ser afetado por atrasos financeiros? A preocupação foi levantada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que solicitou uma audiência pública para discutir a situação do contrato entre a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e o Hospital de Câncer do estado.

A reunião está marcada para a próxima terça-feira (10) na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. Segundo o parlamentar, a falta de repasses compromete o funcionamento da unidade e pode afetar diretamente o diagnóstico e o tratamento oncológico oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atraso nos pagamentos preocupa

De acordo com Lúdio, o hospital ampliou os serviços após a mudança do contrato, que passou da gestão municipal para a estadual em 2024. A alteração elevou o valor do acordo e aumentou o número de procedimentos realizados para pacientes com câncer.

Antes da mudança, o financiamento era feito por meio da prefeitura de Cuiabá e girava em torno de R$ 30 milhões. Após a estadualização, o contrato passou para aproximadamente R$ 93,9 milhões, com a expectativa de ampliar o acesso ao tratamento oncológico no estado.

No entanto, segundo o deputado, os repasses não estão sendo realizados regularmente.

“Mesmo com a ampliação do contrato e sua estadualização, o hospital enfrenta atrasos. Em 2026, por exemplo, a unidade ainda não recebeu pagamentos da Secretaria Estadual de Saúde, apesar de continuar realizando os atendimentos normalmente”, afirmou.

Audiência pública deve reunir autoridades e pacientes

A audiência pública proposta pela Comissão de Saúde pretende reunir diferentes instituições para esclarecer a situação e buscar soluções para garantir a continuidade do atendimento.

Entre os participantes previstos estão:

  • Representantes do Hospital de Câncer
  • Secretaria de Estado de Saúde
  • Ministério Público
  • Pacientes e familiares

Segundo Lúdio, o objetivo é compreender por que os pagamentos não foram efetivados e discutir alternativas para evitar prejuízos no atendimento a pessoas com câncer no estado.

Histórico de debates sobre atendimento oncológico

O deputado acompanha o tema desde 2022, quando propôs a criação de uma Câmara Setorial Temática voltada à assistência de pacientes oncológicos. O grupo analisou o cenário da saúde pública e apresentou recomendações para melhorar o atendimento de quem enfrenta câncer.

Entre as principais propostas do relatório estão:

  1. Criação de protocolos de urgência para suspeitas da doença
  2. Unificação da regulação para tratamento oncológico
  3. Estadualização do contrato com o Hospital de Câncer

Essas medidas buscavam reduzir o tempo entre os primeiros sintomas, o diagnóstico e o início do tratamento.

Desafios no diagnóstico e tratamento

Para o parlamentar, pacientes enfrentam longas etapas até iniciar o tratamento contra câncer. O processo geralmente começa com a busca por consultas médicas e exames, como biópsias, que confirmam a doença.

Após o diagnóstico, novos exames são necessários para definir o estágio do tumor e o tipo de terapia mais indicado, que pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou combinação desses métodos.

Segundo especialistas, a agilidade nessa jornada é fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir complicações.

Por isso, o atraso no financiamento de serviços especializados preocupa autoridades e profissionais da área de saúde, que alertam para possíveis impactos no atendimento oncológico.

Debate busca garantir continuidade do atendimento

A audiência pública pretende esclarecer os motivos do atraso e discutir formas de garantir estabilidade financeira ao hospital responsável por grande parte dos atendimentos de câncer pelo SUS no estado.

Para Lúdio Cabral, o debate público é essencial para preservar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado da doença.

E você, o que pensa sobre a situação do atendimento oncológico no estado? Comente sua opinião!

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