Com o avanço da colheita do milho e a intensificação do período seco em Mato Grosso, produtores rurais precisam redobrar os cuidados para evitar incêndios nas propriedades. A combinação entre baixa umidade relativa do ar, temperaturas elevadas e grande quantidade de palhada deixada nas lavouras cria um cenário de risco que exige atenção especial, principalmente em relação à manutenção de máquinas e à adoção de medidas preventivas.
Diante desse cenário, o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) reforça a importância da prevenção como principal ferramenta para evitar prejuízos econômicos, danos ambientais e riscos à segurança de trabalhadores rurais.
Entre as recomendações estão a manutenção periódica de colheitadeiras, tratores e demais equipamentos agrícolas, além da limpeza frequente das máquinas para evitar o acúmulo de poeira, palha e resíduos próximos a componentes que geram calor. Também é fundamental verificar sistemas elétricos, rolamentos, correias e possíveis vazamentos de óleo ou combustível, fatores que podem desencadear focos de incêndio durante as operações no campo.
Equipes preparadas fazem a diferença
Além dos cuidados com os equipamentos, a Famato destaca a importância de preparar as equipes que atuam nas propriedades para responder rapidamente em situações de emergência.
Segundo a analista de Meio Ambiente da Famato, Tania Arévalo, a capacitação dos trabalhadores é uma medida indispensável durante o período de estiagem.
“É importante que, além de manter a limpeza dos aceiros, o produtor também treine o pessoal que trabalha na fazenda, principalmente para situações de emergência. Isso é fundamental para que ele tenha uma equipe já preparada caso aconteça alguma ocorrência, além de manter equipamentos disponíveis para essas situações”, orienta.
Entre os equipamentos recomendados para uma resposta rápida aos focos iniciais estão abafadores, caminhão-pipa, enxadas, foices, rastelos, pás e kits de primeiros socorros. A disponibilidade desses recursos pode ser decisiva para impedir que um pequeno foco se transforme em um grande incêndio.
Fogo representa prejuízo para a produção e para o meio ambiente
Além das perdas materiais, os incêndios provocam impactos diretos na qualidade do solo, comprometendo sua fertilidade, reduzindo a matéria orgânica e causando danos à biodiversidade. Os prejuízos ambientais podem refletir diretamente na produtividade das próximas safras.
Tania destaca que os produtores rurais têm demonstrado cada vez mais consciência sobre os danos causados pelo fogo e adotado medidas preventivas dentro das propriedades.
“É divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso que as grandes ocorrências, atualmente, acontecem em áreas que não estão produzindo, porque o produtor já tem esse cuidado. Ele já conhece as perdas que o fogo pode causar, principalmente em relação ao solo. Sabemos que o produtor faz a lição de casa muito bem-feita, porque entende que o fogo representa prejuízo para a propriedade”, afirma.
Uso do fogo está proibido até novembro
A Famato também lembra que o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido em Mato Grosso entre os dias 1º de julho e 30 de novembro, conforme determinação dos órgãos ambientais.
O descumprimento das regras pode resultar em multas e outras sanções administrativas. Além disso, caso sejam identificadas irregularidades relacionadas às medidas preventivas obrigatórias previstas na legislação, o proprietário será notificado e terá prazo de 30 dias para realizar as adequações necessárias.
Informativo reúne orientações para os produtores
Para auxiliar os produtores rurais durante o período crítico de estiagem, a Famato disponibilizou um Informativo Técnico com orientações detalhadas sobre prevenção e combate a incêndios em propriedades rurais.
O material reúne informações sobre manutenção preventiva de máquinas, legislação vigente, construção e manutenção de aceiros, organização de brigadas, equipamentos recomendados e boas práticas para reduzir riscos durante a safra.
Com a colheita avançando e a previsão de meses marcados por clima seco em Mato Grosso, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo o melhor caminho para proteger a produção, preservar o meio ambiente e garantir a segurança das pessoas que vivem e trabalham no campo.
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