A logística brasileira vive um momento de transformação com a consolidação do empurrador Bertolini CL. Após um ano de operação, o maior comboio de grãos do país prova que a integração entre rios e estradas é o caminho mais eficiente para o agronegócio.
O projeto opera na rota entre Miritituba e Vila do Conde, na região Norte. Com capacidade recorde, a embarcação otimiza o transporte de soja e milho, reduzindo a dependência histórica das rodovias brasileiras.
Potência e eficiência nas águas
O segredo por trás do desempenho do Bertolini CL reside em sua infraestrutura tecnológica. Equipado com quatro motores Mitsubishi Marine modelo S12R-MPTA, cada um gerando 1.180 hp, o comboio consegue navegar pela desafiadora Região dos Estreitos com estabilidade e força.
Construído no estaleiro Beconal, o empurrador possui cerca de 450 toneladas de porte bruto. O sucesso do projeto é fruto de uma aliança iniciada em 2006 entre o Grupo Bertolini e a Mitsubishi Marine.
Cada viagem do comboio transporta 62,5 mil toneladas de grãos, garantindo uma capacidade 25% superior às operações logísticas convencionais.
Essa configuração não apenas aumenta o volume transportado, mas simplifica a manutenção da frota. A robustez dos motores permite viagens longas e ininterruptas, essenciais para o cronograma rigoroso do escoamento agrícola.
Do rodoviário para o hidroviário: a nova cara do agro
Durante décadas, a produção do Centro-Oeste dependia exclusivamente das estradas até os portos de Santos e Paranaguá. Hoje, os grãos seguem corredores hidroviários pela margem sul do Amazonas, chegando a terminais em Itacoatiara, Santarém, Porto Velho e Belém.
A migração para o modal hidroviário faz parte de uma mudança estrutural no transporte de carga. O reposicionamento logístico é o fator que impulsiona a competitividade internacional da produção nacional.
A operação retira das estradas brasileiras 1.250 caminhões a cada viagem realizada pelo comboio.
O modelo rodofluvial é hoje a estratégia mais eficaz para vencer as distâncias continentais do Brasil. Ao utilizar terminais estratégicos, o setor consegue reduzir o tempo de trânsito terrestre e otimizar o custo por tonelada exportada.
Sustentabilidade e o futuro do setor
Além da economia, o modal fluvial é um pilar da agenda ESG do agronegócio. O transporte de cargas pelos rios emite significativamente menos CO₂ por tonelada transportada, além de diminuir o desgaste da malha asfáltica e a ocorrência de acidentes nas rodovias.
O Grupo Bertolini, que atua há mais de 40 anos na região Norte, reafirma seu compromisso com a inovação. Os resultados operacionais do Bertolini CL foram destaque na TranspoAmazônia 2026, reforçando o debate sobre eficiência logística no país.
O Grupo Bertolini opera hoje a maior estrutura de integração rodofluvial do Brasil, contando com mais de 75 empurradores e cerca de 350 balsas.
Com presença estratégica em 19 estados, o grupo projeta a expansão de conexões com tradings e empresas do agronegócio. A integração total dos modais rodoviário, fluvial e industrial é a estratégia adotada pelo setor para garantir o fluxo constante das safras.
O impacto em Mato Grosso
Para o produtor mato-grossense, essa evolução logística é fundamental para garantir margens de lucro. A redução da dependência das rodovias federais, como a BR-163, melhora a previsibilidade do escoamento e, consequentemente, aumenta o valor competitivo da soja e do milho de Mato Grosso no mercado global. Acompanhar a evolução das hidrovias é essencial para entender como a logística pode impactar o bolso de quem produz no Centro-Oeste.
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