Uma força-tarefa composta pela Polícia Federal, Funai e Ibama deflagrou a Operação Erisícton para combater a exploração desenfreada de madeira na Terra Indígena (TI) Roosevelt. Localizada em uma região estratégica na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, a área é o lar do povo Cinta Larga e vinha sendo alvo de uma sofisticada associação criminosa. O esquema envolvia desde o aliciamento de indígenas até uma complexa rede logística que abastecia madeireiras da região com produto extraído ilegalmente do território protegido.
Durante a ação, os agentes cumpriram 23 mandados expedidos pela Justiça Federal de Ji-Paraná (RO), resultando em duas prisões em flagrante. Além das detenções por posse ilegal de arma de fogo e receptação qualificada, a operação conseguiu lacrar uma madeireira e apreender veículos, maquinários e grandes quantidades de madeira. O trabalho de inteligência revelou que o grupo operava com divisões de tarefas claras, garantindo o transporte e a lavagem dos produtos florestais para inserção no mercado legal.
A ofensiva faz parte de um cronograma intensificado de fiscalização para garantir o cumprimento do Artigo 231 da Constituição Federal, que assegura aos povos originários o usufruto exclusivo de suas terras. Com a promessa de novas incursões na TI Roosevelt nos próximos meses, o governo federal sinaliza tolerância zero contra crimes ambientais e a exploração de vulnerabilidades sociais nas florestas do Centro-Oeste e Norte do Brasil. O foco agora é rastrear o destino final da madeira e identificar outros empresários que financiam o desmatamento ilegal na fronteira estadual.
Balanço da Operação Erisícton:
- Mandados Judiciais: 23 ordens cumpridas;
- Prisões: Duas em flagrante (arma de fogo e receptação);
- Apreensões: Madeira, veículos, armas e celulares;
- Localidade: Terra Indígena Roosevelt (MT/RO);
- Instituições: Polícia Federal, Funai e Ibama.
Modus Operandi do Crime
O esquema era baseado no aliciamento de integrantes da comunidade para facilitar o acesso às áreas de mata fechada. A partir daí, equipes de desmatamento utilizavam infraestrutura pesada para o corte e transporte. Madeireiras locais atuavam como receptadoras, conferindo uma aparência de legalidade à madeira que, na verdade, era fruto de crime ambiental em solo federal.
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