Preços agropecuários recuam em maio e reforçam cenário de cautela no campo

Queda foi puxada principalmente pelos setores de cana, café e hortifrutícolas, enquanto os grãos registraram leve valorização

Os preços recebidos pelos produtores rurais brasileiros voltaram a cair em maio. De acordo com o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a retração foi de 1,38% em comparação com abril.

A queda foi puxada principalmente pelos grupos de cana-de-açúcar e café, que registraram recuo de 8,71%, e pelos produtos hortifrutícolas, com baixa de 2,75%. Os preços da pecuária também apresentaram redução, de 0,81%. A única exceção foi o grupo dos grãos, que teve alta de 1,02%.

Entre os grãos, os maiores aumentos foram observados no algodão, na soja e no trigo. Já o arroz e o milho registraram queda nos preços. Na pecuária, leite e frango vivo ficaram mais valorizados, enquanto boi gordo, ovos e suíno vivo apresentaram desvalorização.

No segmento de frutas, legumes e verduras, a batata e o tomate tiveram alta de preços. Em contrapartida, banana, laranja e uva ficaram mais baratas. Já no grupo de cana e café, ambos os produtos registraram queda nas cotações ao longo do mês.

O levantamento também mostra que os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos produtos industriais em maio. Enquanto o IPPA recuou, o índice que mede os preços no atacado da indústria avançou 1,27%.

No mercado internacional, os preços dos alimentos subiram 1,21% em dólar. Porém, como o real se valorizou frente à moeda norte-americana, o aumento percebido em reais foi mais moderado, de apenas 0,22%.

No acumulado de 2025, o cenário segue de queda para os produtos agropecuários. O IPPA registra recuo de 10,01%, com baixas em todos os grupos analisados. A maior retração foi observada em cana e café (-21,49%), seguida pelos grãos (-9,24%), hortifrutícolas (-7,67%) e pecuária (-5,14%).

Os dados indicam que, ao longo do ano, os produtores rurais vêm enfrentando um ambiente de preços menos favorável, mesmo diante de oscilações pontuais em alguns produtos.

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