Retorno ao Centro das Atenções
Suzane von Richthofen retorna à mídia com um documentário de duas horas que estreia na Netflix, trazendo sua perspectiva sobre o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, ocorrido em 2002 e que marcou o país.
Condenada a 39 anos de prisão, Suzane cumpre atualmente o restante da pena em regime aberto. Ela afirmou que sua relação com os pais sempre foi distante, desde a infância, e descreveu uma vida familiar marcada pela ausência de demonstrações de afeto.
“Não havia demonstração de amor, nem deles para nós, nem de nós para eles. Minha vida era brincar com meu irmão Andreas. Meu pai era totalmente ausente, minha mãe ainda tinha alguns gestos de carinho, mas muito raramente”, relatou.
Agressões
Suzane destacou que o casamento dos pais era conturbado e que presenciou episódios de violência doméstica. Ela relatou que, ainda criança, flagrou seu pai em uma agressão contra a mãe.
“Eu era criança. Meus pais nos colocavam para dormir cedo. Certa vez, ouvi uma discussão e desci para ver. Vi meu pai enforcando minha mãe contra a parede. Foi horrível”, contou.
Daniel ocupou vazio
O distanciamento familiar levou Suzane a buscar conforto em Daniel Cravinhos, que passou a ocupar um papel central em sua vida, levando a jovem a viver uma vida dupla, escondida dos pais.
A mãe desaprovava o relacionamento, alertando que Daniel a levaria para “o fundo do poço”. Quando os pais descobriram a relação, houve confrontos na residência dos Von Richthofen, incluindo agressões físicas por parte de Manfred.
Um ponto de virada ocorreu durante um mês em que os pais estavam viajando, deixando Suzane sozinha com Daniel, período que ela descreveu como de “liberdade total”. A ideia do crime, segundo ela, foi amadurecendo gradualmente entre o casal.
O crime
O assassinato aconteceu em 31 de outubro de 2002. Suzane, Daniel e Cristian Cravinhos executaram Manfred e Marísia enquanto dormiam, enquanto a jovem aguardava no andar inferior da casa.
“Se eu parasse para pensar, aquilo não aconteceria. Quando tudo terminou, o impacto foi imediato. Não havia mais como voltar atrás. O que fiz não tem mais volta”, afirmou Suzane.
Vida atual
Atualmente, Suzane compartilha detalhes sobre sua vida depois do crime, casada com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho. O casal se conheceu pela internet, em um contato profissional envolvendo encomendas de sandálias feitas por Suzane.
Ela afirma que o filho representa a prova de que deixou o passado para trás. “Aquela Suzane ficou no passado. A sensação é que ela morreu junto com meus pais. Quando olho para meu filho, sinto que Deus me perdoou”, concluiu.
O documentário “Suzane vai falar” ainda não tem data oficial de lançamento, embora uma pré-estreia restrita já tenha sido realizada.
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