Roubo de veículos no Rio se concentra em áreas dominadas pelo crime

Um estudo do Instituto de Segurança Pública revela que a maior parte dos veículos roubados ou furtados no estado é recuperada em poucos municípios. Os dados também mostram forte concentração dos crimes em áreas específicas da capital e da Baixada Fluminense.

Um estudo inédito do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro aponta que, em 2025, aproximadamente 80% dos veículos roubados ou furtados no estado foram recuperados em cinco municípios: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo e São João de Meriti.

Os levantamentos indicam que a maior parte desses veículos foi localizada no interior de comunidades ou em áreas sob influência de organizações criminosas, reforçando a relação entre a dinâmica do crime e o território urbano.

De acordo com o estudo Roubo e recuperação de veículos: padrões de criminalidade no estado do Rio de Janeiro, divulgado nesta terça-feira (23), das 17.228 recuperações registradas no ano anterior, 18% ocorreram em seis regiões específicas da capital, incluindo Chapadão, Pedreira, Juramento, Manguinhos, Parque Arará e o Complexo da Maré.

O ISP destaca que os crimes de roubo e furto de veículos estão entre os mais frequentes delitos patrimoniais no estado e geram impactos que vão além da perda material, contribuindo para a movimentação de mercados ilegais e outras atividades criminosas.

A análise territorial mostra ainda forte concentração dos casos. Na cidade do Rio de Janeiro, metade dos registros ocorre em apenas 4,3% da área urbana. Em Duque de Caxias, essa concentração chega a 2,6% do território. Já em São João de Meriti, São Gonçalo e Nova Iguaçu, os índices são de 12%, 5,2% e 3%, respectivamente.

O estudo também aponta eficiência na comunicação dos crimes: 92,2% dos casos envolvendo automóveis e 91,8% das ocorrências com motocicletas são registrados em até três dias. Além disso, 95,4% dos carros e 64,4% das motos são recuperados em até 72 horas.

Segundo o ISP, os padrões identificados indicam rotas organizadas de deslocamento dos veículos roubados, frequentemente direcionadas a locais de receptação ligados a redes criminosas atuantes em diferentes territórios.

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