As homenagens a Iemanjá marcaram o Dia de Iemanjá no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, com uma série de celebrações realizadas da zona norte à zona sul da cidade. Fiéis de diferentes crenças participaram de cortejos, rituais simbólicos e atos de devoção em espaços públicos.
Pela manhã, um dos destaques foi o Presente de Iemanjá, organizado pelo grupo Filhos de Gandhi – Rio de Janeiro. O cortejo percorreu a Rua Camerino, no bairro da Saúde, até a Praça Mauá, na região da Pequena África. Entre os participantes estava o técnico em seguros André Luiz Barbosa, de 48 anos, que afirmou ter participado para valorizar a cultura negra e pedir paz, proteção e saúde para a família.
Durante a caminhada, a psicóloga Amanda Duarte, de 39 anos, levava flores como forma de agradecimento pelas bênçãos recebidas no último ano. Para ela, o gesto simbolizava conexão com a espiritualidade e renovação da fé.
Além do evento na região portuária, a programação incluiu a Reza das Águas no bairro do Leme, realizada no sábado anterior, e a entrega de presentes à orixá na Ilha do Governador, no domingo. Ao longo desta segunda-feira, ainda estavam previstos um cortejo teatralizado na Praia do Flamengo e as celebrações tradicionais no Arpoador. O calendário segue até o fim do mês, com o Xirê de Iemanjá marcado para o dia 28, na Barra da Tijuca.
A devoção atraiu pessoas de outras cidades, como a técnica de enfermagem Sandra Regina Tomás, de 60 anos, que viajou de São Paulo ao Rio movida pela busca da ancestralidade. Já o advogado Oirton Dantas, de 39 anos, mesmo sem religião definida, destacou o valor simbólico do encontro e da convivência coletiva.
Para o babalaô Ivanir dos Santos, doutor em História e professor universitário, a força da devoção está no significado atribuído à orixá. Iemanjá é vista como mãe dos orixás, associada à proteção e ao cuidado. A mesma interpretação é compartilhada por integrantes do Filhos de Gandhi, que relacionam a figura da orixá ao acolhimento presente desde o ventre materno.
Representantes culturais e artistas também ressaltaram o papel simbólico de Iemanjá como elemento de união. Em um contexto de intolerância religiosa, a orixá é apontada como referência capaz de atravessar crenças, promover diálogo e reforçar valores de paz, harmonia e respeito entre diferentes tradições.
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