Um acervo audiovisual precioso, composto por filmes em película dos anos 1950 a 1970, que registra momentos históricos, culturais e sociais de Mato Grosso, foi resgatado da deterioração por meio de um projeto de digitalização. A iniciativa, realizada pelo Instituto Pantaneiras em parceria com o Cineclube Coxiponés da UFMT, foi viabilizada com recursos da SECEL-MT via Lei Paulo Gustavo e representa um marco na preservação da memória do estado.
Coordenado pelas professoras e pesquisadoras Aline Wendpap (Instituto Pantaneiras/UFMT) e Letícia Capanema (Cineclube Coxiponés/UFMT), o projeto focou inicialmente em 26 rolos de filmes em 16mm — parte de um acervo de aproximadamente 75 rolos encontrados nos arquivos do Cineclube. O trabalho técnico de revisão, higienização e digitalização foi realizado pelo Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual (LUPA/UFF), sob supervisão de pesquisadores da UFMT.
Registros históricos recuperados
Entre as joias digitalizadas estão:
- A visita do governador Fernando Corrêa da Costa a Vila Bela da Santíssima Trindade nos anos 1950.
- O filme “Marechal Rondon: Patrono das Comunicações” (1969), de Amaury Valério.
- Cenas sociais e culturais de Cuiabá e outras cidades: desfiles cívicos, casamentos, bailes de debutantes.
- Dois filmes estrangeiros da série “Chroniques de France” (1973).
Os demais rolos, em 8mm e Super-8 — com registros do grupo Cinco Morenos, da Escola de Samba Mocidade da UFMT, da festa do Divino em Água Fria, espetáculos de balé e saraus dos anos 1970 — serão digitalizados em 2026 por meio de uma parceria com o recém-aprovado INCT-PresRes (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração do Audiovisual).
Catálogo online e chamada pública
Todo o acervo de 16mm já está catalogado e disponível para consulta pública no site e nas redes sociais do Cineclube Coxiponés. As fichas técnicas e imagens estão acessíveis a pesquisadores, estudantes e ao público em geral.
Como muitos dos rolos foram encontrados sem identificação, o projeto inclui uma chamada pública para ajudar a reconhecer as pessoas, os eventos e os realizadores retratados nos filmes, buscando preencher as lacunas históricas.
Preservação viva da memória
Para as coordenadoras, a digitalização foi um passo urgente e fundamental. “Essas películas trazem fragmentos importantes da história do estado e estavam sob risco de deterioração”, destacam. “Agora, esse material poderá ser usado em pesquisas, atividades educativas e difusão cultural.”
Com 49 anos de trajetória, o Cineclube Coxiponés reforça seu papel como centro de referência na preservação e divulgação do cinema em Mato Grosso. O projeto assegura que registros únicos da vida e da cultura mato-grossense permaneçam vivos e acessíveis para as gerações atuais e futuras.
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