Com a chegada do período de estiagem em Mato Grosso e o aumento do risco de incêndios florestais, produtores rurais de diferentes regiões do estado têm intensificado ações preventivas dentro das propriedades e reforçado o compromisso do setor com a preservação ambiental e o combate às queimadas.
Em um estado que reúne os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, o cenário climático exige atenção constante durante os meses mais secos do ano. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que Mato Grosso registra elevados índices de focos de calor anualmente, cenário que reforça a necessidade de ações permanentes de prevenção.
Nesse contexto, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso tem ampliado o trabalho de conscientização junto aos produtores rurais, incentivando medidas preventivas, capacitação e fortalecimento de iniciativas regionais de combate ao fogo.
Vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da entidade, Nathan Belusso destaca que o produtor rural é um dos principais interessados na preservação das áreas produtivas e ambientais, já que os incêndios causam prejuízos diretos ao solo, às lavouras, às estruturas das propriedades e aos recursos naturais.
“O produtor rural tende a proteger as suas florestas, as suas plantações e toda a sua área produtiva, afinal de contas, aquele é o seu ganha-pão e o fogo destrói tudo. O produtor depende da terra para produzir e preservar a qualidade do solo é fundamental para garantir produtividade e sustentabilidade”, afirmou.
Segundo ele, além dos danos ambientais, os incêndios podem comprometer áreas agrícolas inteiras, atingir maquinários, cercas, pastagens e reduzir a fertilidade do solo.
“Quando uma área agrícola é atingida pelo fogo, há perda de matéria orgânica e de fertilizantes já aplicados. Muitas vezes o produtor leva anos para recuperar a qualidade daquela área novamente”, explicou.
Nathan também ressalta que, em muitas situações, os produtores rurais são os primeiros a agir no combate aos incêndios, especialmente em regiões mais afastadas dos centros urbanos.
“O produtor faz o primeiro combate e atua como uma importante linha de defesa contra os incêndios. Muitas vezes é essa ação rápida que impede que o fogo tome grandes proporções”, destacou.
Para fortalecer esse trabalho, a Aprosoja MT incentiva a formação de grupos regionais de apoio entre propriedades vizinhas, além de treinamentos e orientações técnicas voltadas à prevenção e ao combate inicial às chamas.
“Quando ocorre um incêndio, os produtores da região se mobilizam com caminhões-pipa, tanques de água, grades e maquinários para auxiliar no combate. Esse trabalho conjunto é muito importante para evitar que o fogo avance para outras áreas”, acrescentou.
Na prática, produtores rurais de diferentes municípios relatam que a prevenção já faz parte da rotina das propriedades. Associado do núcleo de Primavera do Leste, Júlio César Bravin afirma que mantém uma série de medidas preventivas durante as operações agrícolas, especialmente no período de colheita.
“Durante a colheita, todas as propriedades contam com caminhão-pipa acompanhando as máquinas, além de equipamentos de apoio e monitoramento constante. Caso aconteça algum foco de incêndio, conseguimos controlar rapidamente”, relatou.
Bravin também destaca cuidados específicos em áreas próximas às redes de alta tensão e reforça que preservar o meio ambiente faz parte da responsabilidade do produtor rural.
“Essas ações reforçam o compromisso do produtor com a preservação da fauna, da flora, do solo e das nascentes”, afirmou.
Também em Primavera do Leste, o produtor Amauri Segatto relata que ampliou os investimentos em prevenção após enfrentar incêndios em anos anteriores. Atualmente, a propriedade conta com brigada interna treinada, tanques de água e monitoramento constante das áreas consideradas de risco.
“A gente trabalha continuamente na prevenção e no combate rápido aos focos de incêndio para proteger tanto as áreas produtivas quanto as áreas de vegetação”, destacou.
Em Nova Mutum, o associado Jairo Carneiro explica que mantém equipes e estruturas em prontidão durante o período mais crítico da estiagem. Entre as principais medidas adotadas estão a construção de aceiros, manutenção de comboios de combate e equipes preparadas para atuação imediata.
“Todo ano fazemos aceiros na propriedade e também internos para prevenir a dispersão do fogo. Mantemos equipes de prontidão justamente para agir rapidamente caso necessário”, explicou.
Já em Rondonópolis, o produtor Jorge Augusto Salles reforça que o cuidado com o solo é prioridade para quem vive da produção rural.
“O maior ativo do produtor é o solo. É nele que está todo o investimento, dedicação e trabalho desenvolvido ao longo dos anos”, afirmou.
Ele destaca ainda que práticas como a manutenção da palhada de cobertura são fundamentais para garantir produtividade, conservação da umidade e sustentabilidade no campo. Além disso, ressalta que a união entre produtores vizinhos tem sido essencial para fortalecer as ações de combate aos incêndios nas regiões produtoras.
Com investimentos em estrutura, capacitação de equipes e mobilização conjunta entre propriedades, o setor produtivo mato-grossense reforça o compromisso com a preservação ambiental e com a construção de uma produção cada vez mais sustentável. Em um estado marcado pela força do agronegócio e pela riqueza ambiental, produtores rurais seguem atuando diariamente para proteger o campo, o solo e os recursos naturais que sustentam a produção de alimentos e o desenvolvimento de Mato Grosso.
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