A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu nesta última segunda-feira (3) de agosto de 2026 o inquérito policial que investigou um esquema sofisticado de fraudes em licitações e concursos públicos realizados em diversos municípios do estado. Ao término das apurações, cinco pessoas foram formalmente indiciadas por crimes que incluem fraudes em certames de interesse público, crimes contra a lei de licitações, falsidade ideológica e associação criminosa.
Conforme apurado pela investigação, o esquema era operado por um grupo empresarial familiar que manipulava tanto os processos licitatórios de contratação das bancas quanto os próprios concursos públicos para garantir a aprovação de candidatos previamente escolhidos. O caso foi conduzido integralmente pela Delegacia de Polícia Civil de Ribeirão Cascalheira.
Origem das investigações e provas cibernéticas
As investigações tiveram início no ano de 2024 após solicitação formal do Ministério Público de Mato Grosso, motivada por denúncias de graves irregularidades identificadas no Concurso Público nº 01/2024 da Prefeitura de Ribeirão Cascalheira. O principal indício inicial que chamou a atenção dos investigadores foi o envio antecipado de um arquivo digital contendo a proposta comercial e os dados da futura ata licitatória horas antes do prazo limite para a apresentação das propostas pelas concorrentes.
O documento digital já trazia detalhados os nomes das empresas participantes, números de CNPJ, horários de protocolo e os valores exatos que depois apareceriam na ata oficial, evidenciando que a suposta disputa pública havia sido totalmente armada. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, a polícia recolheu diversos equipamentos eletrônicos que passaram por exames periciais no laboratório forense.
Em um dos dispositivos periciados, os peritos localizaram um arquivo criado cerca de 33 dias antes da aplicação das provas contendo uma lista com os nomes de 20 candidatos vinculados a cargos específicos. A apuração confirmou que todos os integrantes listados foram aprovados ou classificados no resultado oficial do certame, sendo que seis deles conquistaram o primeiro lugar em suas respectivas funções.
Ramificações em outros municípios e modus operandi
O aprofundamento das diligências revelou que o mesmo padrão fraudulento foi replicado em concursos públicos promovidos pelas prefeituras de Canabrava do Norte, Alto Paraguai, Juscimeira, Novo Mundo, Querência e Bom Jesus do Araguaia. A Polícia Civil descobriu que empresas formalmente registradas como concorrentes distintas eram, na verdade, controladas pelo mesmo núcleo familiar, compartilhando a mesma estrutura operacional, computadores, credenciais de acesso, documentos e administração.
Em Canabrava do Norte, por exemplo, um dos investigados participou do concurso como candidato e acabou sendo aprovado em primeiro lugar. Outros familiares integrantes da estrutura criminosa também lograram êxito em conquistar as primeiras colocações e chegaram a tomar posse efetiva em cargos públicos municipais.
Quebra de sigilos e medidas judiciais adotadas
O trabalho policial envolveu análises complexas de computadores, smartphones, metadados de arquivos, extratos bancários, além da quebra de sigilos telemáticos e bancários autorizados pela Justiça, permitindo a recuperação de bancos de dados deletados. Novas diligências continuam em andamento para identificar outros eventuais beneficiários ou coautores do esquema.
Além de indiciar os cinco suspeitos, a Polícia Civil representou judicialmente pela anulação integral do Concurso Público nº 01/2024 de Ribeirão Cascalheira, pelo compartilhamento de todas as provas técnicas com os demais municípios atingidos, pela instauração de processos administrativos sancionatórios contra as empresas envolvidas e pela adoção de medidas acautelatórias para preservar as provas digitais obtidas.
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