Ministério da Saúde amplia uso de teste molecular para hanseníase no SUS em medida que beneficia Mato Grosso

Ministério da Saúde amplia uso do teste molecular no SUS, com coleta menos invasiva e acesso para pacientes com suspeita da doença em Mato Grosso.

O Ministério da Saúde oficializou a ampliação do uso do teste molecular para o diagnóstico da hanseníase no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (4) de agosto de 2026. A nova diretriz técnica deverá ser implementada de forma gradual pelas redes estaduais e municipais em um prazo de até 180 dias, gerando um impacto direto e altamente relevante para o estado de Mato Grosso, historicamente classificado como região hiperendêmica para a enfermidade.

De acordo com as diretrizes da publicação oficial, o exame passa a ser realizado também por meio de raspado intradérmico, material coletado de forma direta nas lesões cutâneas do paciente, somando-se às tradicionais biópsias de pele ou de nervo que eram anteriormente exigidas. A flexibilização representa um avanço expressivo ao reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos e invasivos para a obtenção da amostra laboratorial.

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Ampliação do público-alvo e tecnologia molecular

Outra alteração fundamental trazida pela norma diz respeito à ampliação do público apto a realizar a testagem molecular. Conforme a atualização, o exame deixa de ficar restrito apenas à investigação de contatos próximos de casos já confirmados, passando a ser indicado também para pacientes que apresentam suspeita clínica inicial de hanseníase, mesmo que não possuam histórico conhecido de convivência com pessoas diagnosticadas.

O procedimento tecnológico identifica com alta precisão o material genético da bactéria causadora da doença utilizando a técnica de reação em cadeia da polimerase em tempo real (PCR em tempo real). Segundo esclareceu o Ministério da Saúde, o exame funciona como uma valiosa ferramenta complementar de diagnóstico — sobretudo nos casos em que a avaliação clínica apresenta dúvidas —, sem substituir a consulta e o exame físico detalhado realizado pelo profissional de saúde.

Cenário epidemiológico em Mato Grosso

Os índices da doença no território mato-grossense continuam a exigir atenção rigorosa das autoridades sanitárias. Conforme dados parciais divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), o estado registrou 4.723 casos novos da doença em 2024 e outros 3.770 em 2025. Esses números resultam em uma taxa de detecção alarmante de 96,82 casos por 100 mil habitantes, patamar que supera amplamente o limite de hiperendemia estabelecido pelo Ministério da Saúde, fixado em 40 casos por 100 mil habitantes.

Além disso, o estado contabilizou 688 novos diagnósticos em menores de 15 anos entre os anos de 2019 e 2023, indicador epidemiológico sensível utilizado para mensurar a manutenção da transmissão ativa da infecção na comunidade. Especialistas apontam que a persistência desses patamares elevados está associada a fatores como desigualdades socioeconômicas, barreiras geográficas de acesso aos serviços básicos de saúde em comunidades isoladas e ribeirinhas, bem como a carência de equipes capacitadas para o diagnóstico precoce.

A hanseníase é uma doença infecciosa de notificação compulsória obrigatória, possui cura garantida e todo o seu tratamento é fornecido de forma inteiramente gratuita pela rede pública de saúde. O relatório técnico completo com as recomendações de incorporação da tecnologia permanece à disposição para consulta pública no site oficial da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

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